sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Dia F

Dia F

Hévellyn Patrícia

Por mais que protelemos

E até não desejemos

Um dia há de chegar

Dia em que esgotam-se os Fs

E um sonho finalizar

Por mais que não gostemos

Fs hão de nos atormentar

Fs tais, profundos e intensos

Os quais agora quero esbravejar

Fs de força

Que esgotaram em meu ser

Fs de fim

Que em minha vida agora quero ter

Fs de falta

Que não quero mais manter

Inevitavelmente

Findou-se a esperança

E a paciência de te aguardar

Foi-se o desejo

E a calma para esperar

Surgiu o desejo de correr

E o novo olhar

Afastar o gosto amargo

E quem sabe até gritar

São os dias Fs

F de foda-se prá lá

Foda-se o mundo

E o seu mundo em particular

Foda-se sua outra face

E seu caráter exemplar

Foda-se sua beleza

E a mania de se ausentar

Fodam-se os anéis

Pois os dedos

Estão hão de ficar

Fodam-se as dúvidas

E as tentativas de não se entregar

Foda-se sua cara linda

Sua cara lisa, sua cara limpa

Seu hálito e sua saliva

Fodam-se as alianças

Ais quais um dia hei de jogar

Jogar ao mar

Para algas nelas grudar

E assim vidas criar

Fodam-se seus nãos

Suas desculpas

Seu sorriso irônico

E seu jeito de me maltratar

Foda-se seu beijo quente

Que da minha boca

Gosto não mais sentirá

Amo você e quis muito te ter

Mas em plena redundância

Foda-se você.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Natal Contemporâneo

Aproxima-se então o Natal, momento de grande importância para toda a comunidade cristã, onde algo tão importante nos foi ofertado, um presente. O nascimento de Jesus Cristo foi um presente, foi a oportunidade que a humanidade ganhou de se redimir do pecado original.

Presente então, se torna uma palavra chave nas comemorações do nosso natal contemporâneo. Todos querem presentear e ganhar presentes. O presente passa então a ter um espaço prioritário, lugar de destaque nas ceias, nas confraternizações. O momento da abertura dos presentes é o momento apoteótico do natal.

O presente original, que foi o nascimento de Cristo, do redentor, não é sequer mencionado, valorado, nem sequer citado.

O presente almejado é aquele que pode ser mensurado monetariamente. É aquele em que haja valor financeiro. Aquele que pode ser usado para alimentar o ego inflado de vazio, de quem presenteou e de quem estará recebendo. Um presente que possa suprir, talvez, toda falta de substância afetiva, emotiva, sentimental, que uma vida voltada para a busca pelo próprio dinheiro, possa acarretar.

É uma das facetas, iguais a tantas igualmente cruéis, que o capitalismo nos apresenta: o consumismo. Este se apresenta como a redenção das almas sequiosas criadas pelo próprio sistema capitalista.

O capitalismo produz a mercadoria, alheio ao antigo “demanda/produção”, invertendo esse sistema. E produz a mercadoria para então produzir a demanda.

A demanda cada vez maior por uma quantidade e diversidade cada vez maior de produtos, surge como fuga do grande vazio e solidão em que as pessoas se encontram, nesse círculo vicioso para onde o capitalismo selvagem nos trouxe, nos lançou e arbitrariamente nos condicionou, de forma tão disciplinada, que sequer nos encontramos habilitados para apontar culpados.

A mercadoria, no natal, torna-se o presente. O presente em seu valor monetário, torna-se o fetiche que, subjetivamente ganhará um valor simbólico capaz de abarcar o vazio existencial, preenchendo-o momentaneamente, sendo assim considerado como a paz que o clima natalino proporciona.

E assim, o natal, ano após ano, perde o referencial e a grandiosidade originalmente consagrados.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Mulheres que mudaram o mundo... (2)

Benazir Bhutto,foi uma política paquistanesa, duas vezes primeira-ministra de seu país, tornando-se a primeira mulher a ocupar um cargo de chefe de governo de um Estadomuçulmano moderno.

Educada em Harvard e em Oxford, no Reino Unido, onde estudou Ciências Políticas e Filosofia. Filha do primeiro-ministro Zulfikar Ali Bhutto (1971-1977), ela voltou ao Paquistão em 1977, quando o general Muhammad Zia Ul-Haq aplicou um golpe de Estado e depôs seu pai, executado em 1979. Benazir assumiu, ao lado da mãe, a liderança do Partido Popular do Paquistão (PPP).

Bhutto foi a primeira mulher a governar um pais com maioria mulçumana na historia, teve dois mandatos(1988-1990; 1993-1996), mas não concluiu nenhum dos dois por causa de Acusações de corrupção.Seu pai Zulfikar Ali Bhutto havia sido primeiro ministro paquistanês mas foi assassinado quando ela era apenas uma garota. Em 1988 Bhutto vence as eleições e se torna primeira-ministra,mas apenas 20 meses depois é afastada do cargo pelo presidente Ghulam Ishaq Khan alegando corrupção. Em 1993, ela foi re-eleita, mas foi novamente removida, em 1996, sob acusações semelhantes, desta vez pelo presidente Farooq Leghari. Com isso ela entrou em auto-exílio em Dubai em 1998. Bhutto voltou ao Paquistão em 2007 após um acordo com o presidente Pervez Musharraf que lhe garantia anistia e retirava todas as acusações.

. Benazir Bhutto foi morta no dia 27 de dezembro de 2007, durante um atentado suicida em Rawalpindi, cidade próxima a Islamabad, quando retornava de um comício no Parque Liaquat (Liaquat Bagh).[10] O parque é assim chamado em homenagem ao primeiro-ministro paquistanêsLiaquat Ali Khan, também assassinado no local, em 1951.

O ataque ocorreu enquanto o carro da ex-primeira-ministra trafegava, seguido por simpatizantes, e Benazir acenava para a multidão, pelo teto solar do veículo.[11] Bhutto foi alvejada no pescoço e no peito, possivelmente por um homem bomba que, em seguida, se explodiu próximo ao veículo, provocando a morte de cerca de 20 pessoas.[12][13][14] Um dirigente da Al-Qaeda no Afeganistão reivindicou a responsabilidade pelo ato.[15]

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Mulheres que mudaram o mundo...(1)

Como venho preparando um dossiê sobre algumas mulheres que, estando a frente de seu tempo, desempenharam um papel fundamental no mundo, no que diz respeito às injustiças e atrocidades, violência e dominação... quebrando protocolos e colocando-se como marcos na luta pela justiça e igualdade!

Tendo em vista, comemorarmos hoje, dia 25 de Nov, o dia da Luta contra a Violência contra a Mulher, escolhi a Atriz LEILA DINIZ para iniciar essa série.

Leila Diniz, A Mulher de Ipanema, defensora do amor livre e do prazer sexual, é sempre lembrada como símbolo da revolução feminina, que rompeu conceitos e tabus por meio de suas idéias e atitudes.

Estreou no teatro e logo após passou a trabalhar na TV Globo. Fez ao todo 12 novelas, 14 filmes e várias peças teatrais.

Num momento de muita repressão no Brasil, Leila Diniz quebrou tabus da época exibindo sua gravidez de biquine na praia. Chocou o país e a sociedade machista dos anos 60 e 70 com a frase: “ Transo de manhã, de tarde e de noite”. Demonstrando sua total ousadia e repúdio às convenções, Leila Diniz concedia várias entrevistas falando sem vergonha ou constrangimentos sobre seus pensamentos e sobre sua vida pessoa. Causou furor quando, em mais uma entrevista, disse que considerava natural amar uma pessoa e ir para cama com outra e, demonstrando total coragem, disse que já aconteceu com ela.

Não é preciso dizer que este exemplar do jornal foi o mais vendido e após esse fato foi instaurada a Censura Prévia a Imprensa, mais conhecido como Decreto Leila Diniz. Passa a ser perseguida pela polícia política e ironicamente a Rede Globo não renova seu contrato. Há o comentário que a escritora Janete Clair, havia declarado que não haveria papel de prostitutas nas próximas novelas.

Meses depois, Leila reabilita o teatro de revista, e começa uma curta e bem sucedida carreira de vedete. Estrelando a peça tropicalista Tem banana na banda, improvisando a partir dos textos escritos por Millôr Fernandes, Luiz Carlos Maciel, José Wilker e Oduvaldo Viana Filho. Recebe de Virgínia Lane o título de Rainha das Vedetes. No carnaval de 1971, é eleita Rainha da Banda de Ipanema por Albino Pinheiro e seus companheiros.

Faleceu em junho de 1972 num acidente aéreo, no auge da fama, aos 27 anos. Sua filha foi criada pelos amigos, Marieta Severo e Chico Buarque de Holanda.

"Sem discurso nem requerimento, Leila Diniz soltou as mulheres de vinte anos presas ao tronco de uma especial escravidão." Carlos Drummond de Andrade