terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Tem vidas que a morte rejeita



A tristeza afasta mais que os quilômetros
desconecta os sentimentos
anestesia emoções
a tristeza mata o que a morte não ousa 
aproximar de sua personificação

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Hoje eu sei

Ja tive medo do escuro
Não sabia o que estava lá
Hoje tenho medo
Quando começa a clarear
A luz do dia desnuda
Uma vida de arrepiar

Ainda era dia

Hoje eu morri
No meio da chuva
Do meio dia
No meio dia
Só chovia
E eu morria
No meio da chuva do dia
Depois estiou
E ainda era dia

Vida ao meio


Depois que se morre
A primeira vez
Nunca mais se vive
Por inteiro

domingo, 4 de novembro de 2018

Poesia

A poesia não diz o que você quer ler
A poesia não diz
Ela apenas faz repercutir
O que estava tão bem guardado no leitor
Que ele não sabia que estava lá
Mas se emocionou
Mas se incomodou
Lá estava
E a poesia é um convite ao fluir


Teu vício


Teu cigarro te ama
Muito mais que eu
Entre teus lábios
Ele te satisfaz
E te cala
Pra fora
E por dentro

Amor apenas


Tentei te falar de amor
Desse amor tresloucado 
Que me faz o que eu sou
Que me faz ser assim
Alguém por quem você se apaixonou
Quando a mesmice te entediou
Tentei falar desse amor
Apenas diferente
Apenas livre
Amor apenas
Mas as amarras que você queria
Calou a minha voz
E de amor não te falei mais.

O que te sobra


De morte em morte
Vive-se

Aos carentes de coragem
Resta-lhes a pobre vida



Chega de graça

Já não há graça
Viver já não satisfaz
É necessário morrer
Morrer um pouco mais
Na morte a vida sobressai
Na morte se perde o medo de viver
Na morte se vive
Na morte se vive
Pois viver já não denota graça
E de graça a vida já está farta





Medo do mergulho



Chega
Não suporto mais
É preciso fechar os olhos para enxergar
Eu não sou o que tu vês
Eu não Sou
Eu sou exatamente o que te recusas a sentir
Por medo de fechar os olhos e se abrir



Pueril

Quero que tu se vá
Se vá de mim e daqui
Não deixe nada para trás
Nem o olhar
Nem a lembrança desse tosco amar
Pueril como foi
Pueril olhar
Pueril como toda fraqueza
Quero que se vá
E não volte
Não se volte a amar até crescer









quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Por que não?

Por que não?

Estive pensando sobre o quanto de nós mesmos, é produto puramente construído pelas exigências e força coerciva de nossa sociedade.

Qual será a parcela de verdade, verdadeiramente nossa, existente na verdade em que vivemos? Será que escolhemos nossa profissão por aptidão, dom, paixão, ou por ser àquela a qual me renderá mais rendimento financeiro e conforto futuro, ou ainda, àquela a qual está tradicionalmente implantada no seio familiar e/ou que me possibilitará gozar de um certo status?

Será que o estilo musical de minha preferência alimenta a minha alma e me enche de vida, ou apenas me faz sacudir esqueleto e esquecer do vazio que toma conta do meu ser, todas as vezes em que o silêncio fere meus tímpanos, com minhas verdades negadas ou mentiras às quais preciso enormemente acreditar?

Será que o deus no qual cremos é o mesmo que habita nosso íntimo mais profundo ou tal crença é apenas o eco dos ensinamentos amedrontadores que nos faziam ficar quietos, obedecer e não mentir, para não irmos para o inferno, sobreviver ao dia do juízo ou para não “deixarmos triste” o criador?

Será que a comida japonesa é ruim realmente ou apenas fomos ensinados que tudo precisa ser cozido e de cara renegamos tudo que for cru, conseqüentemente entronchando a cara para qualquer lâmina de sushi ou sashimi?

A questão é: quanto estamos dispostos a enveredar por novos caminhos, perdendo-nos por novos becos, guetos e vielas; experimentando novos sabores, mais doces, os mais picantes, os mais exóticos; conhecendo outras crenças, outros ritos, as diversas formas de cultuar a divindade, formas de manifestar a grandiosidade da fé; aprendermos novos ritmos, dançando uma valsa, um tango ou um xaxado, escutando Bach, Jobim ou Preta Gil, uma orquestra sinfônica, um reague ou qualquer ritmo, sabor, paisagem, sensação, que nos remova do cômodo estado do “ domínio”.

Acredito, (e esta é uma nova forma de crença que ainda estou na superfície) que a melhor forma de descobrir o novo é perdendo-se. Assim como nas fases do aprendizado, a confusão ( ou seja, quando parece estar mais perdidos) é o sinal de que estamos aprendendo. Quando nos perdemos, somos obrigados a fuçar, andar pelo desconhecido, prestar mais atenção e é ai que um verdadeiro mundo novo se materializa na nossa frente.

Mas não fomos acostumados a isso. Não fomos treinados para perceber as várias nuances do mesmo. Fomos doutrinados a seguir um caminho apenas e seguimos e muitas vezes sequer nos damos conta dos outros caminhos ou se damos conta de sua existência, é para taxá-lo de qualquer coisa que represente sua inferioridade diante das nossas escolhas.

Isso tudo representa nossa pequinês diante da vida. Representa a única e pequena janela pela qual nos debruçamos para olhar o mundo. E o nosso mundo é do tamanho de tal janela.

O que nos faz realmente humanos é a capacidade de pensar, então, pensamos nos problemas, criamos problemas, criamos distâncias, separações, intrigas, pensamos em como manter o poder, os privilégios. Criamos regras para nos diferenciarmos e nos destacarmos da “grande massa”, burra, ignorante, desqualificada. Construímos grades de afetação para não nos misturarmos com toda sorte de gente desprivilegiada.

O que nos torna humanos são nossos sentimentos, nossas paixões e nós canalizamos tais paixões e as extravasamos nas agressões, indiferenças, humilhações, violências, discriminações, preconceitos, intolerâncias, rispidez, arrogâncias.

E eu, ainda que buscando o novo, lembro-me de todo o velho de sempre, que está tão presente e que é tão cultuado. Ainda!

Mas, penso eu, será que o velho, não é apenas o comum, o conhecido? A única forma apresentável de se chegar a algum lugar? Essas tendências à injustiça, desavença, violência, a arrogância... será que não é a falta de amplitude no olhar?

Por que não tentar o novo? Experimentar!

Por que não olhar para dentro de si e ser gentil consigo mesmo. Fazer um mimo, um carinho, um afago. Olhar dentro dos próprio olhos, diante do espelho até enxergar a imensidão do mar, a infinitude do universo, as misturas e danças das cores no céu ao pôr do sol. E quando enxergar essa dimensão, sorrir para si mesmo e partir para o mundo externo, ciente da nossa transitoriedade nesse mundo. E quem sabe, gastar um pouco da nossa razão e sensibilidade para tentar, por que não, poetizar o grande paradoxo da nossa existência: nossa pequinês diante do desconhecido universo e nossa grandiosidade se considerarmos a complexidade do nosso mais profundo, belo e igualmente desconhecido SER.

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Pra odiar, tem que saber



Não basta odiar
Tem que odiar apaixonadamente
Não esquecer um segundo sequer
Dominar o sentimento
Senti-lo percorrer
Em movimento e quente

terça-feira, 2 de outubro de 2018

O animal




Acontece vez ou outra

Em tempos díspares 
Singulares
Tão remoto que até esqueço que ele está lá
Muito bem alojado
Absorto
Adormecido
Aquietado
Quase em paz
Até que o acordam

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Pequeno vendaval


A tempestade desenterra secos nós 
Devaneia pensamentos enlutados
Arrasta as carrancas para o outro lado
Modifica a ordem
Subverte os sentidos
Alardeia antigas ideias de certezas
E as arrasta para o norte sem fim
A tempestade chega
Se mostra em mim
quando minha ventania
Destila meus eus por aí

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Umbigo

O pensamento parece o mais coerente possível, o pensamento de ovelha, da ordem e da família, da proteção aos meus filhos, às leis, ao legal.
Eu não uso, maconha, então deve continuar proibida; eu não sou gay, então gays não devem casar; eu não aborto, então nada de legalizar o aborto; eu sou de cristo, então temos que queimar os terreiros; eu acho esse quadro feio, então tem que proibir essa exposição.
Eu, Eu, Eu...
Se fosse apenas egoísmo, ainda haveria uma chance rasteira de se resolver, de se salvar, mas não é, não é apenas egoísmo, É FALTA DE AMOR!
E incrivelmente, essa falta de amor vem de mãos dadas com um deus que tomou conta de tudo, o deus que não é amor, o deus que se vinga, que queima, que destrói, que estremece em ira, que não  perdoa. É o deus que destoa, que diverge do que eu entendo ser Deus, o Deus que é AMOR.

Mas atualmente é assim, se o meu deus, que meus pastores dizem, não quer, não permite, então vamos proibir para toda a sociedade.
Proibir, proibir, proibir.

Não interessa se o outro tem outra crença,  usa outros modos de comunhão, se o outro necessita de outras políticas de sobrevivência, se o outro precisa de outras vivências, se o outro é diferente, se o outro entende outra coisa diferente...não importa, EU TENHO OUTRA OPINIÃO, ENTÃO VAMOS PROIBIR!!!

Na verdade é exatamente como nos contos, o lobo disfarçado de ovelha, como Hitler e a certeza que o outro era indigno de viver, como o poder nas mãos dos católicos e a inquisição, como o golpe militar e ideia de intervenção militar para disciplinar... tudo para livrar o mundo dos 'errantes', dos 'pecadores', dos 'hereges'. Dos que são apenas diferentes.

Nós, seres humanos, complexos, diversos, amplos, diferentes por natureza, ricos em diversidades intelectuais, artísticas, talentos, dons, percepções, gostos....todos temos que nos submeter a APENAS UM modo de ser e de viver, porque alguns são incapazes de enxergar além do próprio umbigo.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Sobre o diverso



Diz-se que o conceito binário é uma lástima, uma visão restritiva, parcial e enganosa que nos impede de enxergar a realidade. Por considerar o verdadeiro ou o falso, o certo ou o errado, perde-se uma gama enorme de possibilidades, nuances, aspectos, pormenores, que  simplesmente não cabem nessa insignificante forma de enxergar e viver.
Como se isso não bastasse, há no complexo ato de conviver, visões ainda piores, unas, particulares individuais e egoístas que deturpam e destroem ainda mais as relações entre os seres humanos binários, ao exigir destes, a aceitação arbitrária de um único modo de existir, viver e se posicionar no mundo.
O modo uno, onde os déspotas se esbaldam, está fadado a morrer  e matar-se a si mesmo, quando cada um, ao exalar a inevitável personalidade própria e individual, esbarrará no conceito pré existente e outra lutra será travada até que não sobre ninguém, além da ideia plural da diversidade resistente, outrora apunhalada, rechaçada, repugnada e lançada ao pó.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Desperdício escrito

Gosto da tua companhia,
gosto da tua energia,
e da tua vibração.

Gosto de estar perto,
de sentir tua pele, 
e tocar tua mão.

É lindo teu olhar sorrindo,
o cintilar do brilho,
que declama tua paixão.

Amo você e assim findo,
todo desperdício escrito,
que não denota precisão.


Pedaço de mim: Jana

Faz tempo que tu não escreves, não soltas teu sentir, não ecoas teus ruídos que ensurdecem nossa alma com palavras úmidas e pulsantes, que nos corroem as carapaças e nos atingem o poço de nossos próprios sentires adormecidos ou amordaçados.
Faz tempo que tu não transbordas teus pilares emocionais, declamantes de paixões oriundas de um mergulhar sem medo de molhar o espírito nas águas profundas e turvas do viver extensivamente.
Faz tempo que tu não acaricias nossas emoções com sua intelectualidade emotiva, nem nos presenteia com a intelectualidade que corteja nossos sentimentos.
Faz tempo, é verdade! Mas enfim, tu aqui estais!!
Abrilhanta-nos!!

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Alongamento

Alongar o pensamento é:
Limpar o caminho
Para ser o que você quiser!!


Inexoravelmente

Uma espera interminável, iniciada muito antes da própria compreensão da mesma, termina inexoravelmente no mesmo instante em que meus olhos repousam suavemente no invólucro-guardião da alma que à minha alma complementa.

Hevellyn Patricia

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Na luta pela paz



Ela só queria paz
Mas a paz não lhe queria
A paz requeria um dom
De aceitar o que viria

Ela só queria paz

E a paz lhe exigia
A cabeça sempre erguida
E postura destemida

Ela só queria a paz

Em sua busca ela partia
Com afinco e destemidamente

A paz ela encontraria

No furor e na valentia
De um levante sem precedentes











Insalubridade



Não há saída saudável quando precisamos de rapidez para lidar com sentimentos mordazmente fincados na morosidade de nossas sentimentalidades.

Na minha sala de estar



Quando você chegou, meu coração estava partido.
Um vazio eloquente residia em meu ser vagamente pulsante.
Dor já não existia, pois na apatia, nada minimamente digno se estabelece.
Nem a dor.
Só ausência de qualquer significado, de qualquer sensação, de qualquer justificativa
para manter a oxigenação.
Então você chegou.
Você não juntou os meus pedaços, não emendou meus cacos.
Você sequer notou os traços de um coração vazado.
Você simplesmente chegou, entrou e sentou confortavelmente na minha sala de estar.
Cruzou as pernas elegantemente e pediu um chá
Descalçou os pés alvos e pisou com cuidado no assoalho
Sentiu meu chão frio e cálido na arte de sobreviver
Sentiu talvez tudo que um dia fui, sou e um dia serei
Viu tudo que lhe era necessário à alma
E decidiu permanecer.










segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Inteiros



Sou uma inteira
Com duas metades inteiras
Que me agregam
Até o terceiro inteiro
Formado por nós
Que somado aos amores inteiros
Formam-se mais
Outros entes inteiros
E assim somos muito mais 
E muito mais inteiros




Até bastar



Que meu amor te baste
Se possível for
E se não bastar
Que seja livre o meu 
E o teu amor
Até bastar



domingo, 2 de setembro de 2018

Não para de explodir



É tanto amor
Tanto big bang

É tanto amor
Tanto renascer

É tanto big bang em mim de tanto amor

Ciclo




Chegava ao fim

Afinal e enfim

Rendição

Resignação

No fim não importa

O fim

Apenas o recomeço


terça-feira, 28 de agosto de 2018

Os mundos reais

Os mundos reais

Pelos olhos das pessoas na rua
Eu mergulhos em mundos reais
E os vivencio
São dores e alegrias
Que me fazem crer no sentido da palavra humanidade.

Shopping

Shopping

Desencanto desse mundo de encantos fugidios
O que voga é o vazio
O raso e pueril
Nesse antro doentio
Em desencanto

No limiar da esperança

No limiar da esperança

A dor é de existir
De fazer parte
Da ciência da ancestralidade
Compactuar com a maldade
E insistir nesse existir
Por ação ou omissão
Já não importa
Peso que não faz distinção
Igualmente sem perdão
Pecado da respiração
Que impele o existir
Nos empurra a prosseguir
Obriga a continuar
E ainda coabitar
Nesse mar de atrocidade que nos cabe
Nesse mundo horripilante que nos invade
Entranhas e personalidade
Do que chamam humanidade