terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Negado

Negado
Hévellyn Patrícia – 19/02/2013

Retido em meu peito
Pulsa, pulsa, pulsa
Mantido em meu peito
Queima, queima, queima
No desterro do meu peito
Dói, dói, dói
Negado o meu peito
Morre, morre, morre
Morrendo em meu peito
Renasce, renasce

A minha direção


A minha direção
Hévellyn Patrícia 

Ao salvar-te  do afogamento  inevitável
Resultado dos mal desenhados passos inacabados
Enlameados em pântanos de pensamentos engessados
Rígidas formas encouraçadas de ir
De seguir
De partir
Sem repartir o que de ti desconhecias
O que de ti escondias sem rasteira noção
Desfacelada rota em linha reta
Que seguias sem obstinação
Rumo ao ir
Rumo ao partir
Sem nenhuma precisão
Percebi
Eras a minha direção

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Que lástima



Eu costumo acreditar em tudo que me dizem.... 

Mas que lástima!!

Um arranha céu chamado eu te amo


Um arranha-céu chamado eu te amo

O arranha-céu chamado eu te amo
Talvez seja uma das construções mais formidáveis
Já forjadas pelo ser humano
E que eu tive o prazer de conhecer
E também o desprazer
É uma construção magnífica de se olhar
Esse tal  arranha-céu eu te amo
Todos que se deparam com ele
Enquanto caminham distraidamente
Param para contemplá-lo
E simplesmente se encantam com suas nuances
Tão peculiares
Atormentadoramente magnéticas
Transcendentemente fascinantes
E fatalmente irresistível.

Para os que o admiram
É inevitável sentir o pulsar violento pelo corpo
O desejo de conhecê-lo mais de perto
Sentir o privilégio de adentrá-lo
E deixar-se tomar por todas as sensações
De estar na mais imponente
E porque não dizer,
A mais onipotente obra humana
De formato imperativo e mordaz
E eu posso lhes garantir: é incrível

São poucos os que são chamados
Para conhecê-lo por dentro
Algumas pessoas ficam lá eternamente
Outras saem sentindo-se super importantes
Por terem a sensação de quem conheceu o paraíso

Eu já estive lá
E Curti cada cantinho
E vos digo: cada cantinho é encantadoramente revelador
Inesgotavelmente surpreendente
E finalmente, arrebatador
Tão arrebatador que experimentamos
Uma espécie de catarse profana

Em determinados  patamares que alcançamos
Dentro de tal construção
Fica claro que  já não somos donos de nós mesmos
Nos sentimos parte do todo

O todo a preencher-nos como parte inerente
Do nosso corpo e nossa mente
E de nosso eu mais profundo e desconhecido
Passamos a conectarmo-nos  com o supremo divino
E isso explica tamanho sucesso
Do arranha céu eu te amo

É preciso ser convidado para entrar
Não necessariamente um convite formal
Mas um chamado ao menos
Uma piscadela ou um sorriso pode servir
E para quem aceita o convite
É bom apertar o cinto
Pois nem todos passam muito tempo dentro dele
E nem todos se dão bem nessa aventura
Mas todos nos afeiçoamos a ele de modo que
Não conseguimos nos desvencilhar com facilidade
Quando é preciso ou quando nos obrigam a sair
(Isso independente do tempo que ficamos lá)
Essa é sempre uma experiência dolorosa
Para quem se conectou ao eu te amo

Quem nos convidou tem a obrigação e a “responsabilidade”
De nos tirar de lá, se sentir que é necessário
E admitamos, não é fácil arrastar uma pessoa a contra-gosto
Por uma infinidade de andares
E o arranha céu eu te amo é deverasmente alto
Então o mais fácil e prático
É o modo não convencional
E quem nos convidou a essa viagem
(Sem desprender muito esforço)
Nos leva a contemplar a mais bela vista
Que um arranha céu poderia conceber
E nos empurra
Com ou sem o som do eu te amo
E despencamos arranha céu abaixo

Eu poderia descrever essa queda
E todas as suas infindáveis sensações
Mas fica para próxima
Pois eu ainda estou em queda.