sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Aos pouquinhos


Aos pouquinhos
caquinho por caquinho
um passo
e um passinho
e volto a 
completar-me.


Passado


O passado não passa
de um presente ausente
tentando se mostrar
nas memórias recorrentes
e insistentes em nos 
fazer surtar

O passado não passa
de um passo descompassado
acertando o passo
um passo a frente
de seu tempo
para o presente 
personificar

Poesia à língua


Sempre sinto a poesia
roçar a minha língua
quando a tua língua
silencia 
a me beijar.

Sim, eu
sinto a poesia
na ponta da língua
umas vezes 
à míngua
outras  à delirar.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Afff

Hoje eu não queria escrever
queria ler
queria ler algo que me tocasse a alma
algo que me fizesse escorrer
a lágrima que está presa na garganta
e que não cai
por pura implicância não me molha a face
por indignação
não me alivia o coração

Hoje queria ler 
não queria escrever
queria esbarrar com outro amante
de preferência frustrado
triste e errante
que não me dissesse palavras de alívio
que apenas me discorresse palavras de amor
desse amor
que o frustra, entristece 
mas que ele ( o amante )
teima em seguir e alimentar

Hoje eu queria ler poesia
daquelas bem sofridas
bem Espanca e suas dores eternas
queria chorar com ela
talvez por puro egoísmo
por saber que não choro sozinha

Não, não
queria ler um entusiasta pós-modernista
que diga que o amor é apenas uma forma racional
de sentir 
sendo racional
optamos em sofrer ou não
e pronto
acaba-se o sofrimento

Ai que coisa decadente
queria ler e ler
mas por ser igual a todos
ao invés de fazer o que quero
continuo a escrever
tal qual no amor
continuo a sofrer






quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Olhos rasos


Para os olhos rasos
a profundidade está às claras
está à mostra, está às cegas

Para os olhos rasos
a lágrima nunca seca
o riso não afeta
vermelho é alerta

Para os olhos rasos
o mergulho é um salto
no duro asfalto
do palco

Desabafo


Embora  a primeira palavra que me vem a mente seja, arrependimento, não é exatamente o sentimento que tenho em mim nesse momento. E não é, pelo meu entendimento do que precisamos vivenciar para crescer.
Nem sei se alcançarei algum crescimento nessa vida. Nem sei de quantas vidas  mais precisarei para tentar alcançar um patamar qualquer, mínimo na escala básica de requisitos, para fazer parte dos merecedores e dignos de uma vida rasteiramente aceitável para evolução.
Evolução no sentido de conseguir sobrepor às deturpações de sentimentos essencialmente bons e divinos, porém maculados em sua significância e em seu fundamento. Propiciando e embasando assim, atitudes desumanas em nome de sentimentos como o amor.

Miserável é o ser humano que não controla suas emoções mesquinhas. Indigno é o ser humano que no auge de seu egoísmo, esquece de prestar atenção aos sentimentos dos outros. Covarde e insano é quem se entrega de modo destruidor às tentações mórbidas e ultrajantes de atirar sua mesquinhez (como medo, carência, insegurança, frustrações, incapacidades de compreensão) no ser amado, em forma de palavras endurecidas, raivosas, grotescas e deploráveis, com a mísera intenção de aliviar suas próprias dores, como se a dor causada no outro, de alguma forma, amenizasse as próprias dores.
E ainda mais difícil e doloroso, é a consciência no outro dia, que a dor que nos acometia, não apenas redobrou, como contagiou o outro,  o ser amado e o encheu de uma tristeza indevida e desnecessária.  É a ressaca moral que nos envergonha perante nós mesmos e nos impossibilita de olhar no espelho com o mínimo de hombridade. 

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

domingo, 23 de setembro de 2012

Ir em frente

A sensação que me toma hoje é uma coisa engraçada. É uma vontade imensa de transformar o que há de triste e frustrante dentro de mim em algo engraçado. 
Não, definitivamente, não mudamos as pessoas. Definitivamente, não há como não nos frustrarmos, se esperarmos que os outros façam o que nós faríamos ou o que gostaríamos. 
E não adianta pensar que o outro está errado, que o nosso modo de pensar e de agir está correto. Não adianta, é apenas mais um meio, mais um modo, mais uma ferramenta que alimentará ainda mais nossas dores e frustrações.

Sim, algumas coisas borbulham em mim nesse momento. E é uma vontade de seguir adiante. Sim, com algumas lágrimas nos olhos, claro. Elas fazem parte da vida e sobretudo, da curas. E fazem parte também da força propulsora que me move para frente, nunca para trás. E a cada passo para frente, é um passo mais distante de algo que não queremos. O que é muito bom, afinal.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012


Meio indignada com algumas coisas ( ações de terceiros ), estou aqui refletindo sobre uma mensagem que eu acabei de receber. Era uma mensagem de estima, para levantar o astral. Dizia que estamos exatamente onde deveríamos estar. Que tudo que estamos procurando, também está a nossa procura, mas a nossa inquietação acaba por causar os desencontros e tal e tal.

Se isso for verdade, eu sou uma esquizofrênica.

Sim, inquieta, eu sou mesmo. Pode ser que por isso, o que eu procuro e consequentemente me procura também, não me acha. E em seu lugar, como por carma, surge em seu lugar um oposto.

Odeio o morno. Gente eu odeio o morno!!

Gosto da água gelada batendo nas minhas costas, fazendo meu corpo todo estremecer e arrepiar. Gosto da água quente, que abraça  a minha pele enquanto escorre pelo meu corpo, me alocando exatamente em uma aconchegante estrutura delimitante de calor e fogo.
Já o morno, que sensação me causa? Uma coisa duvidosa, indecisa. Nem isso, nem aquilo. Nem doce, nem salgado.
Onde fica então a sensação de experimentar, de fato? Se mergulhar, de fato? De se jogar, de fato?
Não, definitivamente não nasci para o morno! Gosto das emoções das decisões. De ter em minhas mãos o poder de experimentar, seja o erro, ou o acerto, e dizer, é tudo mérito meu.
Não gosto de não saber onde piso e não gosto de não poder explorar o terreno que se prostra a minha frente.
Mostro-me ao mundo. Revelo-me exatamente como sou, compreendida ou não, estou à mostra. Sou confusa, inquieta, petulante, impaciente, intempestiva. Mas sou. Pior é não ser, não dar-se aos extremos (que nos clamam). Pior é achar-se confortável na mesmice e segurança do morno!
Odeio o morno!



"Não sou como a abelha saqueadora que vai sugar o mel de uma flor, 
depois de outra flor. 
Sou como o negro escaravelho que se enclausura no seio de uma única rosa 
e vive nela até que ela feche as pétalas sobre ele;
 e, abafado neste aperto supremo, 
morre entre os braços da flor que elegeu."

terça-feira, 18 de setembro de 2012

sábado, 15 de setembro de 2012

Há momentos em que, mesmo na ausência, sentimos a presença
E há momentos em que simplesmente deixamos de sentir a presença na presença!

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Metades

Sinto que estou partindo ao meio
que vou assim me dividir
não finjo não ter medo 
não tenho porque mentir

Sinto que estou partindo 
ao meio vou partir
parir a minha dor
sumir da tua vista
nunca mais surgir
Secar o meu amor

Partindo-me ao meio
em partes inteiras
metades de mim mesma
metades inteiras 

O amor e a sombra ¹

Distraído e compenetrado no vagar delicioso dos seus pensamentos leves, coloridos e brilhantes, o amor depara-se, surpreso, com a sombra.
Por um segundo apenas, sente um baque. Um estrondo surdo na boca do estômago, lhe cala e comprime o peito, roubando-lhe o ar. Emudece. 
Um suspiro forte e entrecortado, como os que vencem os choros contidos, lhe invade o peito e lhe recobra a sensação de vida, sem que a tenha perdido.

A sombra, por sua vez, em sua total perversidade, percebendo a surpresa e fragilidade do amor, destila seu veneno:

- Assustei-o?

O amor, recobrado do susto, infla o peito confiante e responde com sua costumeira amabilidade e sorriso fácil.

- Eu estava distraído e não percebi sua presença. - Fala o amor, enquanto retoma a passas pequenos e calmos,  o caminho em que seguia antes de ser surpreendido pela sombra.

- Sim, sim... - Fala a sombra, seguindo-o. - Você não me percebeu. Nunca me notou.

O amor achou estranho a palavra nunca. Conhecia-a. Mas na eternidade de sua alma, não a compreendia. 

- Nunca? - Perguntou confuso
- Nunca. Em nenhum momento antes deste que agora acontece. 

O amor parou e voltou-se para a sombra com mais atenção. Percebeu que seus olhos não assimilavam sua forma completamente, mas nada falou sobre isso. E refletiu em voz alta, como a pedir uma explicação:

- Antes? 

E a sombra divertiu-se e sorrindo-lhe maleficamente, disse:

- É meu rapaz, você não nega que é novo por aqui. Quase um nascituro de tão imaturo. Tão frágil, tão pequeno.

- Eu não sou frágil, nem pequeno. Talvez você não esteja a me perceber corretamente. Eu sou forte, robusto, belo e imortal. 

Retrucou o amor, para o deleite escancarado da sombra, que agora gargalhava-lhe às fuças.

- Meu jovem rapaz, sua inocência de fato alegraria meu coração, se eu o possuísse. Mas como eu não tenho, é a sua credulidade e prepotência, quem me faz rir. - Falava a sombra ao amor, enquanto o envolvia em sua névoa cinza. - E o que é ainda melhor, a sua cegueira quem me faz crescer. E quanto mais eu cresço, menor você fica. E quanto menor, mais escondido, imperceptível....

-Chega! - Gritou o amor resoluto. Temeroso por não mais perceber a nitidez das cores e dos brilhos que estavam diante de seus olhos minutos atrás - Não sei o que você quer, mas eu ordeno que volte de onde você veio!

E mais uma vez, a sombra gargalhou. Agora com mais força e mais vontade, enquanto percebia o desconforto e a incerteza tomar o amor em seu cerne. 

- Você realmente me diverte, meu jovem! Você quer que eu volte para onde eu vim? - E gargalhou mais um pouco, antes de completar. - Eu não posso separar-me de você. Fui criada para te acompanhar até os últimos dias de tua vida. Aliás, minha missão é exatamente diminuir-lhe os dias dessa sua vida inútil. 

- Você é ardilosa sombra! - disse o amor, fazendo uso de sua razão - Fui alertado sobre possíveis forças destruidoras, que vagueiam aleatoriamente, a tentar deturpar o meu verdadeiro significado e aniquilar o poder, o qual detenho. Mas não perca o seu tempo comigo. - E apontando para o alto, em várias direções, continuou - Veja, os feixes de luz já lhe perfuram a extensão, estais sendo vencida, sombra!

A sombra movimentou-se mais uma vez, circundando-o várias vezes até integrar-se em uma forma mais perceptível, de frente para o amor e passou a falar-lhe, em desafio:

- Você é forte, de fato amor. Mas percebo que a sua ignorância está a salvar-lhe a vida. Por isso, hei de fazer-me um favor, esclarecendo-lhe o teor de sua criação neste mundo: foste criado em um tempo sem tempo. Existes há tanto tempo que já nem sei. Mas eu sei que renasceste aqui junto a mim e eu hei de seguir-te onde fores. Não mais me mostrarei a ti. Mas estarei presente entre ti e os raios de sol, de onde tiras força, energia e poder. Agora me dizes: como achas que sobreviverás por muito tempo sem sol?
Ah, és um natimorto, amor! Eis o que tu és, um natimorto!!

E gargalhando asquerosamente, passou a movimentar-se com violência. Um vento surgiu e as névoas cinzas se dissiparam como mágica. 

O amor calou-se cabisbaixo, quieto a ponderar. Tinha sofrido outro golpe surdo no estômago. Olhou em volta e contemplou os raios coloridos de luz que novamente se faziam presente. Olhou com mais atenção. Não tinha certeza se estavam nítidos. E olhou novamente. E novamente. 
Foi quando percebeu. A sombra havia lhe roubado algo de fundamental importância: a certeza.





terça-feira, 11 de setembro de 2012

Sou


Eu sou

Mas antes de ser

Eu fui

Mas do que fui

Não convém falar

Pois o falar restringe

E do que é

Sempre deixa faltar

E se faltar

Eu posso não ser

E se eu não for

O que será de mim?

domingo, 9 de setembro de 2012

As possibilidades

O desejo trai
A covardia amputa
O medo mata

O desejo se esvai
A covardia anula
O medo mata

O desejo se contrai
A covardia dissimula
O medo mata

As possibilidades

Insônia

" Todo dia a insônia me convence que o céu
   faz tudo ficar infinito..."

Toda noite a insônia me convence da infinita capacidade de se enviar informações dúbias aos céus.
Toda noite a insônia me reforça o asco pelo caminho do meio.
Toda noite a insônia me fornece o álibi perfeito para uma morte anunciada.
Toda noite a insônia se revela a mais sábia conselheira.
Toda noite a insônia estampa na minha cara seu manifesto de repúdio por meus caminhos inexatos.
Toda noite a insônia infinita zomba do meu sono raso, do meu desejo largo e das noites em claro.
A cada noite de insônia, morre um pedaço de mim e nasce outro no lugar.
A cada noite de insônia, nasce outra em mim.
A cada noite de insônia, resto-me a mim.

sábado, 8 de setembro de 2012

De frente para a imensidão do mar, sentada nessa areia branca, sinto a brisa roçando os meus cabelos, desmanchando os meus cachos, como uma tentativa vã de dizer algo aos meus ouvidos.
Não presto atenção de imediato. Atenta estava às distrações. Atenta eu estava, mas para dentro. 
E o vento me chamava a atenção para fora, para o mar, para a natureza, para a energia, para o infinito, para Deus.
É, nem sempre as respostas estão por dentro, as vezes estão aí, em todos os lugares, em todos os momentos.
E olhando o mar e essas ondas insistentes e poderosas, percebo que não adianta lutar contra o infinito. Não adianta lutar contra as forças superiores!







sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Atravancadas

Atravancadas no meio do caminho
Entre o dentro e o fora
Ali estão as minhas palavras
Atravancadas

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Muito linda a mensagem que recebi de Jana, toda preocupada com minha dor....

Amiga, eu te agradeço muito a preocupação. É sempre bom saber que temos pessoas a nos zelar e nos tem carinho!!

Mas eu preciso dizer uma coisa para você: Uma dor, ou a minha dor, está apenas cumprindo o seu papel. Cumprindo o papel de me fazer entender certas coisas. Porém, EU estou com uma base muito segura de mim mesma. Sei quem sou, e sei que dentro de mim há algo muito maior que qualquer dor ou tristeza: Deus e Amor (que podem ser uma coisa só, mas preferi colocar os dois separadamente aqui)
Por isso, eu não deixo de ver e apreciar as coisas lindas da vida. Não deixo de Amar a vida, jamais!! Sim, algumas coisas nos fazem chorar e sofrer, mas eu aprendi que vivenciar o sentimento é a melhor forma de curá-lo!! Por isso, eu VIVO, inclusive a minha dor!

E ainda assim, a dor que eu sinto, é uma dor gerada por um sentimento que eu também sinto: Amor. E é tão bom amar, tão bom sentir amor por alguém, que se a dor fosse pré-requisito para amar, eu iria aceitá-la de bom grado.
Mas não é. Dor não é pré-requisito de amor. Aliás, a dor não é causada por amor. Não é dor de amor. São outras coisinhas que fazem parte da vida!!

Portanto, Amiga, eu vejo sim, as estrelas, o céu, a lua ( esta, por sinal quis se esconder de mim, mas eu fui persistente e consegui! ), tudo de bom que a vida tem para oferecer!!

SEMPRE!


Se


Se dor fosse poema
Eu seria constituída de letras, versos e rimas

Se saudade fosse brisa
Eu seria um vendaval furioso







domingo, 2 de setembro de 2012

Primeiro dia do resto da minha vida

Sim, as grandes decisões não são fáceis, especialmente as que dizem respeito às coisas do coração, ao sentimento, ainda mais, quando se trata de amor.
Mas assim como o sol precisa se por, para a lua surgir linda no céu. Precisamos assumir as rédeas da nossa vida e "fazer o que tem que ser feito", sob o risco dela (a vida) fazer por nós.
Hoje tomei uma decisão muito importante. Talvez a mais importante da minha vida.
E apesar da dor que me corrói a alma, estraçalha meu coração, destrói toda minha alegria, duas coisas me sustentam de pé:

1 - A sensação de fazer a coisa certa, preservando meu caráter e minha consciência.
2 - Incrivelmente, dentro de mim há algo que não me deixa ficar vazia: um amor grandioso, verdadeiro e eterno!

sábado, 1 de setembro de 2012



No momento em que eu gostaria de estar morrendo de amor
Estranhamente me sinto morrendo
Em vida

Perdida


Tenho tanta pressa, que as vezes perco coisas pelo caminho
Algumas dessas coisas me são muito importante
Outras coisas me são muito urgentes
E há as coisas que me são caras, como gente

Perdendo as coisas caras vou ficando mais pobre
Mas pobre, duvido do caminho
Duvidando do caminho, já não sinto tanta pressa
Sem pressa, posso não chegar

Não chegando, fico sem caminho
Sem caminho já não sei ficar
Sem bem estar não é caminho
Pois caminho é o bem estar

Vou parar pelo caminho e esperar o vento soprar
Parar pelo caminho e deixar a vida me levar
Pois o mais triste dessa vida
É não saber onde está





Inconstante


As vezes me derreto de amor
Outras vezes me derreto

Algumas vezes me rendo ao amor
Outras vezes me rendo

Possivelmente não desisto do amor
Outras vezes desisto

Algumas vezes o peso do amor me eleva
Outras vezes ele me pesa

Quase sempre quero te amar
Outras vezes também quero

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

O pacto

     Um dia, no meio de uma grande depressão, parecida com a 1929, só que dentro de mim, eu fiz um pacto comigo mesma. Não foi um pacto qualquer, foi uma decisão tomada depois de um susto ao me olhar no espelho.
     Eu olhava pra mim e não me reconhecia. A magreza havia me transfigurado a face; os olhos opacos indicavam que minha alma, já não morava em mim; o inchaço nas pálpebras imploravam por algumas noites de sono; os lábios seco, pálidos e rachados denunciavam o desprezo e o descuido, com que eu andava me tratando.
    Eu não acreditava no que via. E ao mesmo tempo, sentia pena de mim mesma. E como se outra pessoa estivesse no lado de cá do espelho, olhando para o meu reflexo, eu disse a mim mesma: o que você está fazendo com você mesma, menina?
    Um diálogo ai discorreu e eu vou pular essa parte, para ir direto ao pacto.

    Eu prometi a mim mesma  nunca mais me entregar a quem quer que fosse. Nunca mais me apaixonar. Nunca mais deixar de pensar primeiro em mim. Nunca mais acreditar em nenhum "eu te amo". Nunca mais tirar os pés do chão. Nunca mais fazer planos de casamento. Nunca mais fechar os olhos ao beijar longa e calorosamente. Nunca mais me derreter de amor; Nunca mais amar, enfim; Nunca mais, nunca mais, nunca mais...

    ... E nunca, isso aconteceu.

    Invariavelmente romântica, sou uma daquelas que nunca desistem. Daquelas que amam o amor incondicionalmente, apesar de tudo, apesar de toda dor que a ele atribuímos.
    E com minha tendencia natural à reflexão, depois de muito penar (claro, pois as soluções nunca vêm fácil), entendi que o meu pacto comigo mesma estava sob bases errôneas. Eu estava olhando pelo prisma errado. Estava enxergando o copo meio vazio, onde na verdade (o prisma correto para mim), ele estava meio cheio. Tudo depende do olhar.

    Sim, eu havia sofrido absurdamente (e ainda estava sob seus efeitos), mas não por causa do amor que eu sentia por aquela pessoa que agora não estava mais ao meu lado. Não porque "não deu certo". (E essa frase, tantas vezes repetidas e questionadas por mim, foi o ponto culminante da reviravolta em meu pensar). 
    Eu estava sofrendo por outras questões internas, psicológicas e conceituais. Eu estava sofrendo pelo meu entendimento equivocado sobre o amor e sobre a prisão que nós inadvertidamente lhe atribuímos a causa. Eu estava sofrendo pela dependência emocional, com qual eu castiguei o meu ser amado. Sofria pela minha falta de amor próprio. Pelo meu vazio existencial. Pelos ecos passados que ribombavam no meu peito. Nunca pelo amor.
   
    Quando eu consegui enxergar o copo meio cheio, eu pude então enxergar, o quão maravilhosa havia sido a relação que, naquele momento doentio, eu dizia não ter dado certo. Que mentira absurda! Que equívoco!! Pois, havia dado imensamente certo. E eu, nós, havíamos sido imensamente felizes!!

    O meu pacto comigo mesma, estava baseado nessas dores, nos rancores, nos olhares desfocados. Por isso, ele nunca poderia ter sido cumprido. E eu tenho muito orgulho de mim, por ter tido coragem e humildade de voltar atrás e  não levá-lo à cabo. Pois orgulho, também era algo que fazia parte dos meus olhares errôneos e equivocados para com a vida.

    Por isso, o meu pacto comigo mesma foi desfeito. E outro foi forjado para substituí-lo:
    Após alguns anos e após a busca incansável de novos aprendizados (que ainda continua), um outro pacto foi realizado. Dessa vez entre a Vida e Eu. Entre o Amor e Eu. Entre Deus e Eu. 
    E apesar de tantas dificuldades conceituais que observamos por aí para definir o amor, a vida ou Deus, o meu pacto foi muito simples. E ele tinha (tem) como base meu entendimento sobre o que é a vida, Deus, amor e eu. E também sobre o que Ele (Deus) quer de nós.
     Deus é amor e nós somos uma centelha do próprio Deus, somos uma centelha do próprio amor divino. E a vida  foi o presente com que Ele nos agraciou, em sua infinita bondade, para que nós conseguíssemos então, realizar Sua vontade: que fossemos felizes! 
    
    Claro, os complicadores existem! A sociedade criou ferramentas mil para dificultar essa tal felicidade. Incluindo os conceitos sobre a própria felicidade, sobre o amor. Criou uma imensidão de pecados, punições, restrições, os tais "valores", preconceitos. Coisas que estão muito mais para o capeta. Que por sinal, ao meu ver,  uma das mais engenhosas criações de todas. Ideal para gerar o medo. E o medo gera o controle, a dominação, as frustrações...
    
     O parágrafo acima já está por demais complicado. Não vou me estender nele, visto que o assunto era outro. Era o amor e o meu pacto com ele!

      Amar, acima de qualquer coisa. Cuidar da vida que me foi presenteada e assumir a minha responsabilidade de ser feliz!! 
             Eis o meu pacto!!

 
 


   

Gangorra



É divertido de brincar
Sinto o frio na descida
E na subido vou gritar
Mais é melhor quando a vida
Não vai a gangorra imitar




Oco do Mundo



O oco do mundo invadiu minhas entranhas

Preencheu meus espaços

O oco do mundo em grande artimanha

Quando enlaça eu me desfaço 

Em oco


Poder

Poder. 
Estive pensando nessa palavrinha esses dias e em como ela é usada e principalmente utilizada como escudo para esconder as incapacidades pessoais, camuflarmos nossa covardia e nos protegermos dessas verdade dolorosas. Afinal, é muito mais fácil e indolor dizer, eu não posso, porque assim, o "poder" estará sendo transferido para outro lugar, outra situação ou outra pessoa. 
Se eu não posso, é porque alguém, ou algo,  tem um poder maior que o meu e me impede. 

Quem está no poder (político), tem o "poder" de fazer o que tem que ser feito. Mas se/quando não é feito, nos escondemos atrás da palavra "poder" e esquecemos que o "poder" que, quem está no poder, tem, foi concedido por nós e não agimos. Mais uma vez, nos colocamos atrás do tal escudo chamado Poder. 

No dicionário (o aurélio), o conceito de poder é tão extenso que é subdividido em dezoito partes. Mas todas (salvo a autoridade constituída) denotam uma capacidade que nos é inerente. Mas socialmente, aprendemos a não valorizar nossas capacidade natas. Somos domesticados.

Lembrei de um trecho em que Clarissa Pinkola, nos fala da nossa inexorável lembrança do feminino selvagem: 

"Trata-se da lembrança do nosso parentesco absoluto, inegável e irrevogável com o feminino selvagem, um relacionamento que pode ter se tornado espectral pela negligência, que pode ter sido soterrado pelo excesso de domesticação, proscrito pela cultura que nos cerca ou simplesmente não ser mais compreendido. Podemos ter-nos esquecido do seu nome, podemos não atender quando ela chama o nosso; mas na nossa medula nós a conhecemos e sentimos sua falta. Sabemos que ela nos pertence; bem como nós a ela."

Bem que o trecho pode calhar perfeitamente a outras muitas situações, mas calha bem com o "poder" que esquecemos que temos e/ou outorgamos aos outros, fugindo às nossas responsabilidades, acovardados pelo medo mórbido de errar, ou talvez de acertar. 
É, nem todos aguentamos o acerto, também. Mas isso é muita psicologia para uma leiga. Deixa pra lá, deixa para quando eu tiver com mais "poder" (coragem para tentar) para falar sobre. 






quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Os caminhos desapareceram da alma humana

Os Caminhos Desapareceram da Alma HumanaCaminho: faixa de terra sobre a qual se anda a pé. A estrada distingue-se do caminho não só por ser percorrida de automóvel, mas também por ser uma simples linha ligando um ponto a outro. A estrada não tem em si própria qualquer sentido; só têm sentido os dois pontos que ela liga. O caminho é uma homenagem ao espaço. Cada trecho do caminho é em si próprio dotado de um sentido e convida-nos a uma pausa. A estrada é uma desvalorização triunfal do espaço, que hoje não passa de um entrave aos movimentos do homem, de uma perda de tempo. 
Antes ainda de desaparecerem da paisagem, os caminhos desapareceram da alma humana: o homem já não sente o desejo de caminhar e de extrair disso um prazer. E também a sua vida ele já não vê como um caminho, mas como uma estrada: como uma linha conduzindo de uma etapa à seguinte, do posto de capitão ao posto de general, do estatuto de esposa ao estatuto de viúva. O tempo de viver reduziu-se a um simples obstáculo que é preciso ultrapassar a uma velocidade sempre crescente. 

Milan Kundera, in "A Imortalidade"

Noite em claro

   Com algumas noites em claro nas costas, aprendi que em sua maioria, elas são improdutivas, desgastantes, irritantes e absolutamente maléficas para o corpo, mente, alma e coração.
   A única questão, é que quem sofre desse mal não tem muita escolha. E sabe que o rolar interminavelmente na cama, inventar novas formas de se comprimir e se esticar, até desforrá-la por completo, derrubar o travesseiro e ser obrigado a levantar para arrumar tudo de novo, pode não ser o caminho escolhido, mas é o único e sem direito à inércia. 
   Porém, essa noite foi um pouco diferente. Me obriguei a não rolar e a não tentar ( sabendo que é em vão ) dormir. Essa noite noite me pus a pensar, a lembrar de algumas aulas sobre a importância da respiração  e me obriguei a prestar atenção na minha. 
   Percebi que quase não estava respirando. Ela estava curtinha, rápida, fraca. O peso absurdo de algo enorme bloqueava sua passagem bem no meu peito. Era algo enorme, que me sufocava, como se um  bicho-papão estivesse sentado em cima de mim. Era angustiante. Minha face e a parte externa dos meus braços pareciam queimar, como se exigissem oxigênio de mim, como se gritassem e pedissem socorro. 
   Eu nunca fui uma pessoa complacente, nunca soube lidar com a resignação, nunca fui boa amiga da covardia e nunca deixei de oferecer resistência aos medos, embora há alguns meses, tenha andado de nhênhênhê com tudo isso.
    Resolvi então enfrentar o monstro. E para isso, me utilizei de conhecimentos estratégicos aprendido com Sun Tzu: a melhor forma de enfrentar o inimigo, é conhecê-lo. 
    Qual era o inimigo então? 
   Pensar no inimigo, não foi algo que melhorou a minha respiração. Muito pelo contrário. Ela começou a faltar ainda mais. Mas eu não sou de desistir (quando me disponho a algo). 
   Quem estava me apertando, comprimindo meu peito, me maltratando, me sufocando? Quem era meu algoz das últimas noites intermináveis?
     Passei a fazer muita força para respirar. Mas não de qualquer jeito. Nos momentos de desespero é preciso utilizar técnicas e eu as conhecia. Puxava o ar o mais forte que podia, até ele preencher meus pulmões e distender minha barriga e depois prender todo esse ar pelo instante de contar até dez e soltá-lo. Mais uma vez, não de qualquer forma. Tinha que ter técnica. Tive que soltá-lo até a última miligrama, esvaziando por completo, barriga e pulmões. 
     Fiz isso várias vezes. Até doer na garganta. Também pudera, foi um exercício e tanto. 
   Enquanto respirava, trabalhava a mente. Continuava a me perguntar quem era o "algoz da vez"? E aos poucos, assim como a respiração que começava a fluir mais normalmente, as situações foram se esclarecendo na minha cabeça. 
    Percebi que não havia algoz nenhum. E se eu quisesse assim pensar, esse algoz seria eu mesma e as minhas escolhas de vida. Mas prefiro não pensar assim, não me parece coerente, visto que minhas escolhas têm bases amorosas, divinas e não podem ser comparadas a algozes.
     A respiração, assim como diz o budismo, ajuda a acalmar, clarear e libertar a mente. E não é que eles estão certos, mesmo!!
     Eu estava com o foco deslocado, excluindo a minha responsabilidade  e esperando demais das pessoas. Esperando até coisas que elas não podem me dar.
    Eu estava tratando de forma irresponsável e cruel o amor que mora em mim. Culpabilizando-o por minhas frustrações e por minhas ansiedades, como se ele (o amor), pelo simples fato de existir, já fosse suficiente para as grandes transformações.
    Quer dizer, ele o é. Só que não do jeito que minha ignorância, pequinês  e materialidade deseja. O amor é divino. Sendo ele divino, não cabe a mim conhecer seus desígnios. Mas cabe a mim, crer!
   
    Bom, depois disso tudo, eu consegui adormecer. Acordei cedinho. Não de bom humor (por sinal, mau humor me era tão raro), mas diferente e melhor. Não posso ter a ilusão que outras noites insones não virão, seria utopia de minha parte, mas agora sei que há como, ao menos, tirar bom proveito delas.
   
     

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Rimas pobres



Rimas pobres 

Pobres de rimar

Quisera eu tomar um porre

E na rima te amar


Rimas pobres

Pobres de rimar

Quisera eu não ser fracote

E de rima não precisar


Rimas pobres

Pobres de rimar

Quem dera Deus, um norte

Para um rumo eu tomar


Rimas pobres

Pobres de rimar

Já não sinto mais tão forte

Meu coração pulsar







Planar

   
      Por um momento, por um instante sequer, queria descobrir a sensação de não pensar.                 
    Queria poder simplesmente planar, simplesmente existir e não sentir o movimento das sinapses nervosas em meu cérebro.
       É, planar, gostaria de planar!


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Silêncios


Em minha extensa compulsão
Ampla coleção de silêncios
Entre toda coleção
Guardo silenciosa
Alguns gritos
Inculpes não resignados

(Inter)Momentos

Nunca coube em mim,  a ideia de ser a vida, feita de momentos. Esse pensamento parece-me castrador, limitante e até perverso, por minimizar quase à extinção, os conectores que, levando-nos de um momento a outro, possibilita-nos agregarmos os aprendizados, que estão contidos nas mudanças, nas passagens, nos limiares, à nossa vida, à nossa alma.

De fato, nosso caminhar coincide com a leitura cardiológica dos nossos corações: cheio de altos e baixos. E sim, alguns momentos são maravilhosos, que nos enchem de sorrisos, alegria, felicidade e nos reforça toda vontade de viver e de continuar nossa caminha, na busca de objetivos, metas, etc. assim como há momentos em que somos tomados por tristezas, decepções, angústias que nos jogam e nos prendem à cama e o pensamento mais recorrente é desistir, não sair da cama, se entupir de chocolates, etc, etc, etc.

E é exatamente onde para mim, acontece a mágica da vida. São nos períodos de transição, onde eu posso deveras mostrar o que de fato há de coragem, de poder, de virtude em mim. É a minha capacidade de olhar, analisar e refletir. É a minha consciência de ter em minhas mãos, todas as ferramentas necessárias para modificar o que deve ser modificado, ou para reforçar o que deve ser mantido.

E cada (inter)momento grandioso, que as pessoas costumam não ater sua atenção, por preferem muitas vezes, não assumirem para si a responsabilidade de tudo que lhes acontece, é uma oportunidade preciosa de aprender e de conhecer a força que há dentro de si e que se é perdida. Justamente por ser a vida entendida como momentos e não como uma linha contínua e infinitamente evolutiva.

Os momentos são os resumos da vida. São os ápices, para cima ou para baixo, mas não são a vida. Os momentos podem nos oferecer um panorama de como anda nossa vida e de como estamos cuidando dela. Mas os momentos não existem por si só, eles fazem parte de um todo muito maior, do qual somos os responsáveis e criadores. Desde os mais belos e inesquecíveis, até os mais confusos, amedrontadores e aterrorizantes.
Podemos editá-los, mas a edição não faz parte do momento. A edição faz parte do (inter)momento que costumamos não lembrar, não dedicar a devida atenção e com isso, cedemos espaço para o tal vento que faz a folha seca voar ao seu bel prazer.

domingo, 26 de agosto de 2012

Vivendo

Sem tempo a perder
Sem nada a temer
Sigo vivendo
Todo meu querer

Quando o querer acabar
Que o tempo venha assegurar
No prosseguir vivendo
Outro querer me venha tomar

E ponto.
O infinito bem perto se aproxima
Quase define por completo toda essa agonia
Tanta sede, tanta sede
Meu ser é uma sede
Eu sou só sede
Nem o infinito me saciaria
Nem o infinito saciaria essa sede de você.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Vácuo de convergência


São nos períodos deploráveis  e intermináveis de tempo,  que cruzam as horas dos meus dias (sem meu consentimento), como vácuos de tempo infernais, que sou tomada por uma dúvida  assombrosamente desagradável:  Ou sou arrastada  intermitentemente  de volta à realidade desprezível  ao qual  me nego a acreditar, ou sou extraída de um sonho bom, de tempos em tempos, para jamais perder-me de mim mesma.
Seja como for, são períodos de infindáveis reflexões que me levam à perder-me  e  a achar-me no mais profundo, sincero e honesto ponto de convergência de minhas dúvidas e certezas.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Entre delírios e ponderações sinto a efêmera incerteza se dissipar para ceder espaço à exuberante sensação de plenamente bailar oscilante entre o sim, o não e o talvez.

sábado, 18 de agosto de 2012

Quem disse que eu quero entender? Já não me interessa, já não me faz diferença. 
Resta-me apenas sentir. 
Sentir a brisa leve roçar a minha face, aquecer a minha alma e revelar apenas o que é necessário saber!

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

O medo parece sempre nos acompanhar. Não o medo de amar, mas o medo de sofrer por amor. E muitas vezes esse medo nos paralisa diante do mais belo presente nos dado por Deus, que é essa capacidade de perder-se um pouco, desconsiderar a razão, entregar-se, sair do chão... que é o AMAR!
Sim, sofrer é uma consequência possível. Mas possível, naõ é certeza, além do mais, sempre haverá amigos/irmaõs para nos amparar, se necessário!!

Vontade
Hévellyn Patrícia – 31/07/12

Vontade de te ver
Vontade de te ter
Vontade de mim
Vontade de você

Vontade de viver
O que na vida der vontade
Vontade de nascer
Esse amor eternidade

Vontade de vagar
Em teu corpo à vontade
Vontade do prazer
Do teu gozo declarado

Vontade, que vontade
De não mais passar vontade
Vontade, que vontade
De te ter sempre ao meu lado


E Então...
Hévellyn Patrícia – 08/07/2012


E então eles se tocaram
Calaram-nos
Roubaram-nos o ar
Soterram-nos em nossos desejos de amar
Apaixonaram-se então

loucura
 sensação
 saudade


 perdida no oco do mundo!

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Memória

E pelo caminho sóbrio
Um flerte com o desejo
Desejo do que lhe é peculiar
Desejo pelo que pode machucar
Desejo pelo vermelho
Vermelho lhe faz jorrar
Pelo caminho sóbrio onde vermelho não há
Vermelho sangue
Sangue a derramar
Há apenas o vermelho
o vermelho que ficou no ar