segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Minhas Verdades

Minhas Verdades

Por Hévellyn Patrícia


Não me afasto de mim jamais

Não nego o que de fato clama a minha alma

Não nego minhas verdades

Nem as más

Nem as de boa qualidade

Prezo a veracidade

Principalmente a minha

Principalmente as para comigo mesma

Mesmo as não ditas

Até as impensadas

Mesmo as inverídicas

Inverdades camufladas

Que de tão proferidas

Já são de verdade

E nesse jogo de acreditar

Aposto que meus olhos são cor âmbar

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Saberás

Ainda te espero aproximar-se de mim novamente
Com aquele ar doce e infalivelmente inebriante
Com o qual um dia me fizeste apaixonar perdidamente
Não sei se irei sucumbir
Não sei se irei resistir
Só sei que te aguardo com toda esperança que pode caber em um corpo
Só sei que te espero com toda certeza que um dia tu chegarás
Não sei se vou te querer
Não sei se vou te rejeitar
Só sei que desse dia depende o restante de minha salubridade mental
Só sei que do teu retorno faço meu chão e meu caminhar
Não me surpreende que te demores
Não me assusta que tu duvides que esse dia virá
Sei apenas que em mim encontrarás as respostas às quais necessitas para viver
Não sei se as te darei
Não sei pela falta delas te matarei
Só sei que um dia retornarás
E nesse dia tu descobrirás que nunca deverias ter partido

Desde a aurora da minha vida

Mesmo exasperada com o terror do mundo fora de mim

Fora do casulo seguro onde tento firmemente permanecer

Sinto uma pontada de dúvida sobre a realidade que entendo como terror

Não sei até que ponto o real foi construído de forma fantasmagórica

Delineada por uma imaginação doentia que me foi imposta na aurora da minha vida

No momento em que as dores se transformavam numa anestesia corpórea

Empurrando-me cada vez mais para dentro e para o isolamento

Sem que eu pudesse discernir ou me defender de tais influências involuntárias

As quais hoje tento deixar de ser refém

Deixei-me levar e anular-me diante das situações que se apresentavam na minha vida

Até que um dia qualquer

Sem maiores pretensões ou quaisquer indícios de algo diferente no ar

Eu te vi

E naquele exato momento em que meu olhar bateu em tua memorável figura

Tudo pareceu inexoravelmente clarear e fazer sentido

Um emaranhado de interconexões translúcidas materializou-se em minha frente

E de repente eu soube a razão da minha existência

E a significação de todo meu resguardo perante as pessoas que a mim se apresentavam

E eu percebi que era exatamente você, aquele alguém que eu ainda não conhecia

O ser que me faria inteirar-me em mim mesma

E assim o foi.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Antes do sonho

Hévellyn Patrícia – 01/11/2011

Sem minha permissão a vida acontece lá fora

Sem meu entendimento os fatos rompem os lacres da conformidade

E de cheio, atingem meus mais convictos pactos com a mediocridade

Obrigando-me a não mais permanecer no conforto da ignorância

Sou então lançada num mar revolto

Sim, a vida é bem assim, um mar revolto

Os pés, não mais encontrando a segurança de um terreno firme

Ensaia uma desbaratada fuga para onde quer haja o conhecido

Em vão

Nada permanece, por assim dizer, inalterado

Nem mesmo a capacidade de discernir o caminho a seguir

Nem mesmo a desenvoltura de seguir, mesmo sem saber para onde

Tudo está tão fora de lugar e violentamente remexido

Que o próprio entendimento do local exato, onde estou nesse momento

Parece ter-se perdido com vai e vem das ondas que me arrastam para lá e para cá

E um silêncio ensurdecedor me atinge os ouvidos

E pareço sucumbir num abismo sem fim de ausências e impermanências

Não tenho mais forças para continuar a ir e não chegar onde quero estar

Não sinto mais vontade de olhar e enxergar o que temo ver

Não tenho mais coragem de escutar e ouvir o que me recuso a saber

Desvaneço assoberbada, exasperada, exausta

Tombo em solo quente, macio e confortável

Entrego-me a um sono profundo

E chega o sonho enfim, e com ele o sossego da minha alma.