domingo, 23 de setembro de 2012

Ir em frente

A sensação que me toma hoje é uma coisa engraçada. É uma vontade imensa de transformar o que há de triste e frustrante dentro de mim em algo engraçado. 
Não, definitivamente, não mudamos as pessoas. Definitivamente, não há como não nos frustrarmos, se esperarmos que os outros façam o que nós faríamos ou o que gostaríamos. 
E não adianta pensar que o outro está errado, que o nosso modo de pensar e de agir está correto. Não adianta, é apenas mais um meio, mais um modo, mais uma ferramenta que alimentará ainda mais nossas dores e frustrações.

Sim, algumas coisas borbulham em mim nesse momento. E é uma vontade de seguir adiante. Sim, com algumas lágrimas nos olhos, claro. Elas fazem parte da vida e sobretudo, da curas. E fazem parte também da força propulsora que me move para frente, nunca para trás. E a cada passo para frente, é um passo mais distante de algo que não queremos. O que é muito bom, afinal.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012


Meio indignada com algumas coisas ( ações de terceiros ), estou aqui refletindo sobre uma mensagem que eu acabei de receber. Era uma mensagem de estima, para levantar o astral. Dizia que estamos exatamente onde deveríamos estar. Que tudo que estamos procurando, também está a nossa procura, mas a nossa inquietação acaba por causar os desencontros e tal e tal.

Se isso for verdade, eu sou uma esquizofrênica.

Sim, inquieta, eu sou mesmo. Pode ser que por isso, o que eu procuro e consequentemente me procura também, não me acha. E em seu lugar, como por carma, surge em seu lugar um oposto.

Odeio o morno. Gente eu odeio o morno!!

Gosto da água gelada batendo nas minhas costas, fazendo meu corpo todo estremecer e arrepiar. Gosto da água quente, que abraça  a minha pele enquanto escorre pelo meu corpo, me alocando exatamente em uma aconchegante estrutura delimitante de calor e fogo.
Já o morno, que sensação me causa? Uma coisa duvidosa, indecisa. Nem isso, nem aquilo. Nem doce, nem salgado.
Onde fica então a sensação de experimentar, de fato? Se mergulhar, de fato? De se jogar, de fato?
Não, definitivamente não nasci para o morno! Gosto das emoções das decisões. De ter em minhas mãos o poder de experimentar, seja o erro, ou o acerto, e dizer, é tudo mérito meu.
Não gosto de não saber onde piso e não gosto de não poder explorar o terreno que se prostra a minha frente.
Mostro-me ao mundo. Revelo-me exatamente como sou, compreendida ou não, estou à mostra. Sou confusa, inquieta, petulante, impaciente, intempestiva. Mas sou. Pior é não ser, não dar-se aos extremos (que nos clamam). Pior é achar-se confortável na mesmice e segurança do morno!
Odeio o morno!



"Não sou como a abelha saqueadora que vai sugar o mel de uma flor, 
depois de outra flor. 
Sou como o negro escaravelho que se enclausura no seio de uma única rosa 
e vive nela até que ela feche as pétalas sobre ele;
 e, abafado neste aperto supremo, 
morre entre os braços da flor que elegeu."

terça-feira, 18 de setembro de 2012

sábado, 15 de setembro de 2012

Há momentos em que, mesmo na ausência, sentimos a presença
E há momentos em que simplesmente deixamos de sentir a presença na presença!

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Metades

Sinto que estou partindo ao meio
que vou assim me dividir
não finjo não ter medo 
não tenho porque mentir

Sinto que estou partindo 
ao meio vou partir
parir a minha dor
sumir da tua vista
nunca mais surgir
Secar o meu amor

Partindo-me ao meio
em partes inteiras
metades de mim mesma
metades inteiras 

O amor e a sombra ¹

Distraído e compenetrado no vagar delicioso dos seus pensamentos leves, coloridos e brilhantes, o amor depara-se, surpreso, com a sombra.
Por um segundo apenas, sente um baque. Um estrondo surdo na boca do estômago, lhe cala e comprime o peito, roubando-lhe o ar. Emudece. 
Um suspiro forte e entrecortado, como os que vencem os choros contidos, lhe invade o peito e lhe recobra a sensação de vida, sem que a tenha perdido.

A sombra, por sua vez, em sua total perversidade, percebendo a surpresa e fragilidade do amor, destila seu veneno:

- Assustei-o?

O amor, recobrado do susto, infla o peito confiante e responde com sua costumeira amabilidade e sorriso fácil.

- Eu estava distraído e não percebi sua presença. - Fala o amor, enquanto retoma a passas pequenos e calmos,  o caminho em que seguia antes de ser surpreendido pela sombra.

- Sim, sim... - Fala a sombra, seguindo-o. - Você não me percebeu. Nunca me notou.

O amor achou estranho a palavra nunca. Conhecia-a. Mas na eternidade de sua alma, não a compreendia. 

- Nunca? - Perguntou confuso
- Nunca. Em nenhum momento antes deste que agora acontece. 

O amor parou e voltou-se para a sombra com mais atenção. Percebeu que seus olhos não assimilavam sua forma completamente, mas nada falou sobre isso. E refletiu em voz alta, como a pedir uma explicação:

- Antes? 

E a sombra divertiu-se e sorrindo-lhe maleficamente, disse:

- É meu rapaz, você não nega que é novo por aqui. Quase um nascituro de tão imaturo. Tão frágil, tão pequeno.

- Eu não sou frágil, nem pequeno. Talvez você não esteja a me perceber corretamente. Eu sou forte, robusto, belo e imortal. 

Retrucou o amor, para o deleite escancarado da sombra, que agora gargalhava-lhe às fuças.

- Meu jovem rapaz, sua inocência de fato alegraria meu coração, se eu o possuísse. Mas como eu não tenho, é a sua credulidade e prepotência, quem me faz rir. - Falava a sombra ao amor, enquanto o envolvia em sua névoa cinza. - E o que é ainda melhor, a sua cegueira quem me faz crescer. E quanto mais eu cresço, menor você fica. E quanto menor, mais escondido, imperceptível....

-Chega! - Gritou o amor resoluto. Temeroso por não mais perceber a nitidez das cores e dos brilhos que estavam diante de seus olhos minutos atrás - Não sei o que você quer, mas eu ordeno que volte de onde você veio!

E mais uma vez, a sombra gargalhou. Agora com mais força e mais vontade, enquanto percebia o desconforto e a incerteza tomar o amor em seu cerne. 

- Você realmente me diverte, meu jovem! Você quer que eu volte para onde eu vim? - E gargalhou mais um pouco, antes de completar. - Eu não posso separar-me de você. Fui criada para te acompanhar até os últimos dias de tua vida. Aliás, minha missão é exatamente diminuir-lhe os dias dessa sua vida inútil. 

- Você é ardilosa sombra! - disse o amor, fazendo uso de sua razão - Fui alertado sobre possíveis forças destruidoras, que vagueiam aleatoriamente, a tentar deturpar o meu verdadeiro significado e aniquilar o poder, o qual detenho. Mas não perca o seu tempo comigo. - E apontando para o alto, em várias direções, continuou - Veja, os feixes de luz já lhe perfuram a extensão, estais sendo vencida, sombra!

A sombra movimentou-se mais uma vez, circundando-o várias vezes até integrar-se em uma forma mais perceptível, de frente para o amor e passou a falar-lhe, em desafio:

- Você é forte, de fato amor. Mas percebo que a sua ignorância está a salvar-lhe a vida. Por isso, hei de fazer-me um favor, esclarecendo-lhe o teor de sua criação neste mundo: foste criado em um tempo sem tempo. Existes há tanto tempo que já nem sei. Mas eu sei que renasceste aqui junto a mim e eu hei de seguir-te onde fores. Não mais me mostrarei a ti. Mas estarei presente entre ti e os raios de sol, de onde tiras força, energia e poder. Agora me dizes: como achas que sobreviverás por muito tempo sem sol?
Ah, és um natimorto, amor! Eis o que tu és, um natimorto!!

E gargalhando asquerosamente, passou a movimentar-se com violência. Um vento surgiu e as névoas cinzas se dissiparam como mágica. 

O amor calou-se cabisbaixo, quieto a ponderar. Tinha sofrido outro golpe surdo no estômago. Olhou em volta e contemplou os raios coloridos de luz que novamente se faziam presente. Olhou com mais atenção. Não tinha certeza se estavam nítidos. E olhou novamente. E novamente. 
Foi quando percebeu. A sombra havia lhe roubado algo de fundamental importância: a certeza.





terça-feira, 11 de setembro de 2012

Sou


Eu sou

Mas antes de ser

Eu fui

Mas do que fui

Não convém falar

Pois o falar restringe

E do que é

Sempre deixa faltar

E se faltar

Eu posso não ser

E se eu não for

O que será de mim?

domingo, 9 de setembro de 2012

As possibilidades

O desejo trai
A covardia amputa
O medo mata

O desejo se esvai
A covardia anula
O medo mata

O desejo se contrai
A covardia dissimula
O medo mata

As possibilidades

Insônia

" Todo dia a insônia me convence que o céu
   faz tudo ficar infinito..."

Toda noite a insônia me convence da infinita capacidade de se enviar informações dúbias aos céus.
Toda noite a insônia me reforça o asco pelo caminho do meio.
Toda noite a insônia me fornece o álibi perfeito para uma morte anunciada.
Toda noite a insônia se revela a mais sábia conselheira.
Toda noite a insônia estampa na minha cara seu manifesto de repúdio por meus caminhos inexatos.
Toda noite a insônia infinita zomba do meu sono raso, do meu desejo largo e das noites em claro.
A cada noite de insônia, morre um pedaço de mim e nasce outro no lugar.
A cada noite de insônia, nasce outra em mim.
A cada noite de insônia, resto-me a mim.

sábado, 8 de setembro de 2012

De frente para a imensidão do mar, sentada nessa areia branca, sinto a brisa roçando os meus cabelos, desmanchando os meus cachos, como uma tentativa vã de dizer algo aos meus ouvidos.
Não presto atenção de imediato. Atenta estava às distrações. Atenta eu estava, mas para dentro. 
E o vento me chamava a atenção para fora, para o mar, para a natureza, para a energia, para o infinito, para Deus.
É, nem sempre as respostas estão por dentro, as vezes estão aí, em todos os lugares, em todos os momentos.
E olhando o mar e essas ondas insistentes e poderosas, percebo que não adianta lutar contra o infinito. Não adianta lutar contra as forças superiores!







sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Atravancadas

Atravancadas no meio do caminho
Entre o dentro e o fora
Ali estão as minhas palavras
Atravancadas

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Muito linda a mensagem que recebi de Jana, toda preocupada com minha dor....

Amiga, eu te agradeço muito a preocupação. É sempre bom saber que temos pessoas a nos zelar e nos tem carinho!!

Mas eu preciso dizer uma coisa para você: Uma dor, ou a minha dor, está apenas cumprindo o seu papel. Cumprindo o papel de me fazer entender certas coisas. Porém, EU estou com uma base muito segura de mim mesma. Sei quem sou, e sei que dentro de mim há algo muito maior que qualquer dor ou tristeza: Deus e Amor (que podem ser uma coisa só, mas preferi colocar os dois separadamente aqui)
Por isso, eu não deixo de ver e apreciar as coisas lindas da vida. Não deixo de Amar a vida, jamais!! Sim, algumas coisas nos fazem chorar e sofrer, mas eu aprendi que vivenciar o sentimento é a melhor forma de curá-lo!! Por isso, eu VIVO, inclusive a minha dor!

E ainda assim, a dor que eu sinto, é uma dor gerada por um sentimento que eu também sinto: Amor. E é tão bom amar, tão bom sentir amor por alguém, que se a dor fosse pré-requisito para amar, eu iria aceitá-la de bom grado.
Mas não é. Dor não é pré-requisito de amor. Aliás, a dor não é causada por amor. Não é dor de amor. São outras coisinhas que fazem parte da vida!!

Portanto, Amiga, eu vejo sim, as estrelas, o céu, a lua ( esta, por sinal quis se esconder de mim, mas eu fui persistente e consegui! ), tudo de bom que a vida tem para oferecer!!

SEMPRE!


Se


Se dor fosse poema
Eu seria constituída de letras, versos e rimas

Se saudade fosse brisa
Eu seria um vendaval furioso







domingo, 2 de setembro de 2012

Primeiro dia do resto da minha vida

Sim, as grandes decisões não são fáceis, especialmente as que dizem respeito às coisas do coração, ao sentimento, ainda mais, quando se trata de amor.
Mas assim como o sol precisa se por, para a lua surgir linda no céu. Precisamos assumir as rédeas da nossa vida e "fazer o que tem que ser feito", sob o risco dela (a vida) fazer por nós.
Hoje tomei uma decisão muito importante. Talvez a mais importante da minha vida.
E apesar da dor que me corrói a alma, estraçalha meu coração, destrói toda minha alegria, duas coisas me sustentam de pé:

1 - A sensação de fazer a coisa certa, preservando meu caráter e minha consciência.
2 - Incrivelmente, dentro de mim há algo que não me deixa ficar vazia: um amor grandioso, verdadeiro e eterno!

sábado, 1 de setembro de 2012



No momento em que eu gostaria de estar morrendo de amor
Estranhamente me sinto morrendo
Em vida

Perdida


Tenho tanta pressa, que as vezes perco coisas pelo caminho
Algumas dessas coisas me são muito importante
Outras coisas me são muito urgentes
E há as coisas que me são caras, como gente

Perdendo as coisas caras vou ficando mais pobre
Mas pobre, duvido do caminho
Duvidando do caminho, já não sinto tanta pressa
Sem pressa, posso não chegar

Não chegando, fico sem caminho
Sem caminho já não sei ficar
Sem bem estar não é caminho
Pois caminho é o bem estar

Vou parar pelo caminho e esperar o vento soprar
Parar pelo caminho e deixar a vida me levar
Pois o mais triste dessa vida
É não saber onde está





Inconstante


As vezes me derreto de amor
Outras vezes me derreto

Algumas vezes me rendo ao amor
Outras vezes me rendo

Possivelmente não desisto do amor
Outras vezes desisto

Algumas vezes o peso do amor me eleva
Outras vezes ele me pesa

Quase sempre quero te amar
Outras vezes também quero