sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Aos pouquinhos


Aos pouquinhos
caquinho por caquinho
um passo
e um passinho
e volto a 
completar-me.


Passado


O passado não passa
de um presente ausente
tentando se mostrar
nas memórias recorrentes
e insistentes em nos 
fazer surtar

O passado não passa
de um passo descompassado
acertando o passo
um passo a frente
de seu tempo
para o presente 
personificar

Poesia à língua


Sempre sinto a poesia
roçar a minha língua
quando a tua língua
silencia 
a me beijar.

Sim, eu
sinto a poesia
na ponta da língua
umas vezes 
à míngua
outras  à delirar.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Afff

Hoje eu não queria escrever
queria ler
queria ler algo que me tocasse a alma
algo que me fizesse escorrer
a lágrima que está presa na garganta
e que não cai
por pura implicância não me molha a face
por indignação
não me alivia o coração

Hoje queria ler 
não queria escrever
queria esbarrar com outro amante
de preferência frustrado
triste e errante
que não me dissesse palavras de alívio
que apenas me discorresse palavras de amor
desse amor
que o frustra, entristece 
mas que ele ( o amante )
teima em seguir e alimentar

Hoje eu queria ler poesia
daquelas bem sofridas
bem Espanca e suas dores eternas
queria chorar com ela
talvez por puro egoísmo
por saber que não choro sozinha

Não, não
queria ler um entusiasta pós-modernista
que diga que o amor é apenas uma forma racional
de sentir 
sendo racional
optamos em sofrer ou não
e pronto
acaba-se o sofrimento

Ai que coisa decadente
queria ler e ler
mas por ser igual a todos
ao invés de fazer o que quero
continuo a escrever
tal qual no amor
continuo a sofrer






quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Olhos rasos


Para os olhos rasos
a profundidade está às claras
está à mostra, está às cegas

Para os olhos rasos
a lágrima nunca seca
o riso não afeta
vermelho é alerta

Para os olhos rasos
o mergulho é um salto
no duro asfalto
do palco

Desabafo


Embora  a primeira palavra que me vem a mente seja, arrependimento, não é exatamente o sentimento que tenho em mim nesse momento. E não é, pelo meu entendimento do que precisamos vivenciar para crescer.
Nem sei se alcançarei algum crescimento nessa vida. Nem sei de quantas vidas  mais precisarei para tentar alcançar um patamar qualquer, mínimo na escala básica de requisitos, para fazer parte dos merecedores e dignos de uma vida rasteiramente aceitável para evolução.
Evolução no sentido de conseguir sobrepor às deturpações de sentimentos essencialmente bons e divinos, porém maculados em sua significância e em seu fundamento. Propiciando e embasando assim, atitudes desumanas em nome de sentimentos como o amor.

Miserável é o ser humano que não controla suas emoções mesquinhas. Indigno é o ser humano que no auge de seu egoísmo, esquece de prestar atenção aos sentimentos dos outros. Covarde e insano é quem se entrega de modo destruidor às tentações mórbidas e ultrajantes de atirar sua mesquinhez (como medo, carência, insegurança, frustrações, incapacidades de compreensão) no ser amado, em forma de palavras endurecidas, raivosas, grotescas e deploráveis, com a mísera intenção de aliviar suas próprias dores, como se a dor causada no outro, de alguma forma, amenizasse as próprias dores.
E ainda mais difícil e doloroso, é a consciência no outro dia, que a dor que nos acometia, não apenas redobrou, como contagiou o outro,  o ser amado e o encheu de uma tristeza indevida e desnecessária.  É a ressaca moral que nos envergonha perante nós mesmos e nos impossibilita de olhar no espelho com o mínimo de hombridade. 

segunda-feira, 1 de outubro de 2012