quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Prisão de mim

       Prisão de mim
      Hévellyn Patrícia - 03/12/13

      Em monólogos infindáveis com a solidão inquietante que insiste em fazer-se presente, ouço o silêncio gritante de uma alma atormentada à procura de liberdade.      Em sua lamuriosa labuta e inesgotável determinação, dia após dia prostra-se enraivecida e impertinente, em posição de sentido à declamar-se audível, aos meus, costumeiramente surdos, ouvidos.      Impalatáveis palavras, de composição indigesta são deflagradas em complexas conexões de verdades incontestáveis, culminam lacrimosamente  à jorrar dos meus olhos cor amarelo fogo ardente.      Emudecida e engasgada, eu, prisão de mim mesma, resigno-me a ouvir-me. 

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Três pontinhos...

Três pontinhos...
Hévellyn Patrícia  - 21/11/13



Ao te vislumbrar...
.... vislumbro o tempo.


Ao te contemplar...
... contemplo o vento.


Ao te beijar...
... beijo lento.


Ao te amar...
...  amo eternamente.



Hévellyn Patrícia - 20/11/13


       Já não sou um
Por mais que tente
       Já não sou dois

Já não sou
      Por mais que latente
Já não sou

       Já sou dois
Por mais ausente
       Já sou nós

Já sou
     Por mais que o tempo
Já sou

     Já
 Já não há tempo
     Sou

Já somos
     Já era tempo
          Viver
               Ser



terça-feira, 14 de maio de 2013

Desde Sempre


Desde sempre - 07/04/13

Eu já te amava
Desde sempre eu já te amava
Antes de saber, eu já te amava
Antes de saberes, eu já te amava
Antes de te amar
Antes de te beijar
Antes de te olhar, eu já te amava
Eu já te amava
Desde outros tempos eu já te amava
 Antes do amanhecer
Antes do renascer
Antes do florescer,  eu já te amava
Eu já te amava
Antes de ser
Antes de mim
Antes de você,  eu já te amava
Desde sempre eu já te amava

sexta-feira, 8 de março de 2013

A maestria da dor



Enquanto circula vorazmente
    Dentro do meu corpo
Ao bel prazer de seu mordaz 
    Desejo de fazer-se sentir
A dor
    Transcende sua própria mesquinhez
Ao maestrar os movimentos da minha mão
    Empunhando com destreza a caneta
Contra a passividade do papel
     Fazendo-o gemer.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Nada mais se acha


Tanto se perde nos caminhos não trilhados

Tanto se perde às margens das decisões não tomadas

Tanto se perde nos colapsos nervosos do medo não superado

Tanto se perde

Que quando nos damos conta

Nada mais se acha.

A palavra

A palavra
Escrita ou falada
Doces poemas
Balbuciadas 
As vezes ordena
Declamadas
As vezes condena
Apaixonadas

A palavra
Escrita ou falada
Em si o antídoto
Em si o que mata

A palavra
E tanto amor sem palavras

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Negado

Negado
Hévellyn Patrícia – 19/02/2013

Retido em meu peito
Pulsa, pulsa, pulsa
Mantido em meu peito
Queima, queima, queima
No desterro do meu peito
Dói, dói, dói
Negado o meu peito
Morre, morre, morre
Morrendo em meu peito
Renasce, renasce

A minha direção


A minha direção
Hévellyn Patrícia 

Ao salvar-te  do afogamento  inevitável
Resultado dos mal desenhados passos inacabados
Enlameados em pântanos de pensamentos engessados
Rígidas formas encouraçadas de ir
De seguir
De partir
Sem repartir o que de ti desconhecias
O que de ti escondias sem rasteira noção
Desfacelada rota em linha reta
Que seguias sem obstinação
Rumo ao ir
Rumo ao partir
Sem nenhuma precisão
Percebi
Eras a minha direção

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Que lástima



Eu costumo acreditar em tudo que me dizem.... 

Mas que lástima!!

Um arranha céu chamado eu te amo


Um arranha-céu chamado eu te amo

O arranha-céu chamado eu te amo
Talvez seja uma das construções mais formidáveis
Já forjadas pelo ser humano
E que eu tive o prazer de conhecer
E também o desprazer
É uma construção magnífica de se olhar
Esse tal  arranha-céu eu te amo
Todos que se deparam com ele
Enquanto caminham distraidamente
Param para contemplá-lo
E simplesmente se encantam com suas nuances
Tão peculiares
Atormentadoramente magnéticas
Transcendentemente fascinantes
E fatalmente irresistível.

Para os que o admiram
É inevitável sentir o pulsar violento pelo corpo
O desejo de conhecê-lo mais de perto
Sentir o privilégio de adentrá-lo
E deixar-se tomar por todas as sensações
De estar na mais imponente
E porque não dizer,
A mais onipotente obra humana
De formato imperativo e mordaz
E eu posso lhes garantir: é incrível

São poucos os que são chamados
Para conhecê-lo por dentro
Algumas pessoas ficam lá eternamente
Outras saem sentindo-se super importantes
Por terem a sensação de quem conheceu o paraíso

Eu já estive lá
E Curti cada cantinho
E vos digo: cada cantinho é encantadoramente revelador
Inesgotavelmente surpreendente
E finalmente, arrebatador
Tão arrebatador que experimentamos
Uma espécie de catarse profana

Em determinados  patamares que alcançamos
Dentro de tal construção
Fica claro que  já não somos donos de nós mesmos
Nos sentimos parte do todo

O todo a preencher-nos como parte inerente
Do nosso corpo e nossa mente
E de nosso eu mais profundo e desconhecido
Passamos a conectarmo-nos  com o supremo divino
E isso explica tamanho sucesso
Do arranha céu eu te amo

É preciso ser convidado para entrar
Não necessariamente um convite formal
Mas um chamado ao menos
Uma piscadela ou um sorriso pode servir
E para quem aceita o convite
É bom apertar o cinto
Pois nem todos passam muito tempo dentro dele
E nem todos se dão bem nessa aventura
Mas todos nos afeiçoamos a ele de modo que
Não conseguimos nos desvencilhar com facilidade
Quando é preciso ou quando nos obrigam a sair
(Isso independente do tempo que ficamos lá)
Essa é sempre uma experiência dolorosa
Para quem se conectou ao eu te amo

Quem nos convidou tem a obrigação e a “responsabilidade”
De nos tirar de lá, se sentir que é necessário
E admitamos, não é fácil arrastar uma pessoa a contra-gosto
Por uma infinidade de andares
E o arranha céu eu te amo é deverasmente alto
Então o mais fácil e prático
É o modo não convencional
E quem nos convidou a essa viagem
(Sem desprender muito esforço)
Nos leva a contemplar a mais bela vista
Que um arranha céu poderia conceber
E nos empurra
Com ou sem o som do eu te amo
E despencamos arranha céu abaixo

Eu poderia descrever essa queda
E todas as suas infindáveis sensações
Mas fica para próxima
Pois eu ainda estou em queda.