sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Dia F

Dia F

Hévellyn Patrícia

Por mais que protelemos

E até não desejemos

Um dia há de chegar

Dia em que esgotam-se os Fs

E um sonho finalizar

Por mais que não gostemos

Fs hão de nos atormentar

Fs tais, profundos e intensos

Os quais agora quero esbravejar

Fs de força

Que esgotaram em meu ser

Fs de fim

Que em minha vida agora quero ter

Fs de falta

Que não quero mais manter

Inevitavelmente

Findou-se a esperança

E a paciência de te aguardar

Foi-se o desejo

E a calma para esperar

Surgiu o desejo de correr

E o novo olhar

Afastar o gosto amargo

E quem sabe até gritar

São os dias Fs

F de foda-se prá lá

Foda-se o mundo

E o seu mundo em particular

Foda-se sua outra face

E seu caráter exemplar

Foda-se sua beleza

E a mania de se ausentar

Fodam-se os anéis

Pois os dedos

Estão hão de ficar

Fodam-se as dúvidas

E as tentativas de não se entregar

Foda-se sua cara linda

Sua cara lisa, sua cara limpa

Seu hálito e sua saliva

Fodam-se as alianças

Ais quais um dia hei de jogar

Jogar ao mar

Para algas nelas grudar

E assim vidas criar

Fodam-se seus nãos

Suas desculpas

Seu sorriso irônico

E seu jeito de me maltratar

Foda-se seu beijo quente

Que da minha boca

Gosto não mais sentirá

Amo você e quis muito te ter

Mas em plena redundância

Foda-se você.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Natal Contemporâneo

Aproxima-se então o Natal, momento de grande importância para toda a comunidade cristã, onde algo tão importante nos foi ofertado, um presente. O nascimento de Jesus Cristo foi um presente, foi a oportunidade que a humanidade ganhou de se redimir do pecado original.

Presente então, se torna uma palavra chave nas comemorações do nosso natal contemporâneo. Todos querem presentear e ganhar presentes. O presente passa então a ter um espaço prioritário, lugar de destaque nas ceias, nas confraternizações. O momento da abertura dos presentes é o momento apoteótico do natal.

O presente original, que foi o nascimento de Cristo, do redentor, não é sequer mencionado, valorado, nem sequer citado.

O presente almejado é aquele que pode ser mensurado monetariamente. É aquele em que haja valor financeiro. Aquele que pode ser usado para alimentar o ego inflado de vazio, de quem presenteou e de quem estará recebendo. Um presente que possa suprir, talvez, toda falta de substância afetiva, emotiva, sentimental, que uma vida voltada para a busca pelo próprio dinheiro, possa acarretar.

É uma das facetas, iguais a tantas igualmente cruéis, que o capitalismo nos apresenta: o consumismo. Este se apresenta como a redenção das almas sequiosas criadas pelo próprio sistema capitalista.

O capitalismo produz a mercadoria, alheio ao antigo “demanda/produção”, invertendo esse sistema. E produz a mercadoria para então produzir a demanda.

A demanda cada vez maior por uma quantidade e diversidade cada vez maior de produtos, surge como fuga do grande vazio e solidão em que as pessoas se encontram, nesse círculo vicioso para onde o capitalismo selvagem nos trouxe, nos lançou e arbitrariamente nos condicionou, de forma tão disciplinada, que sequer nos encontramos habilitados para apontar culpados.

A mercadoria, no natal, torna-se o presente. O presente em seu valor monetário, torna-se o fetiche que, subjetivamente ganhará um valor simbólico capaz de abarcar o vazio existencial, preenchendo-o momentaneamente, sendo assim considerado como a paz que o clima natalino proporciona.

E assim, o natal, ano após ano, perde o referencial e a grandiosidade originalmente consagrados.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Mulheres que mudaram o mundo... (2)

Benazir Bhutto,foi uma política paquistanesa, duas vezes primeira-ministra de seu país, tornando-se a primeira mulher a ocupar um cargo de chefe de governo de um Estadomuçulmano moderno.

Educada em Harvard e em Oxford, no Reino Unido, onde estudou Ciências Políticas e Filosofia. Filha do primeiro-ministro Zulfikar Ali Bhutto (1971-1977), ela voltou ao Paquistão em 1977, quando o general Muhammad Zia Ul-Haq aplicou um golpe de Estado e depôs seu pai, executado em 1979. Benazir assumiu, ao lado da mãe, a liderança do Partido Popular do Paquistão (PPP).

Bhutto foi a primeira mulher a governar um pais com maioria mulçumana na historia, teve dois mandatos(1988-1990; 1993-1996), mas não concluiu nenhum dos dois por causa de Acusações de corrupção.Seu pai Zulfikar Ali Bhutto havia sido primeiro ministro paquistanês mas foi assassinado quando ela era apenas uma garota. Em 1988 Bhutto vence as eleições e se torna primeira-ministra,mas apenas 20 meses depois é afastada do cargo pelo presidente Ghulam Ishaq Khan alegando corrupção. Em 1993, ela foi re-eleita, mas foi novamente removida, em 1996, sob acusações semelhantes, desta vez pelo presidente Farooq Leghari. Com isso ela entrou em auto-exílio em Dubai em 1998. Bhutto voltou ao Paquistão em 2007 após um acordo com o presidente Pervez Musharraf que lhe garantia anistia e retirava todas as acusações.

. Benazir Bhutto foi morta no dia 27 de dezembro de 2007, durante um atentado suicida em Rawalpindi, cidade próxima a Islamabad, quando retornava de um comício no Parque Liaquat (Liaquat Bagh).[10] O parque é assim chamado em homenagem ao primeiro-ministro paquistanêsLiaquat Ali Khan, também assassinado no local, em 1951.

O ataque ocorreu enquanto o carro da ex-primeira-ministra trafegava, seguido por simpatizantes, e Benazir acenava para a multidão, pelo teto solar do veículo.[11] Bhutto foi alvejada no pescoço e no peito, possivelmente por um homem bomba que, em seguida, se explodiu próximo ao veículo, provocando a morte de cerca de 20 pessoas.[12][13][14] Um dirigente da Al-Qaeda no Afeganistão reivindicou a responsabilidade pelo ato.[15]

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Mulheres que mudaram o mundo...(1)

Como venho preparando um dossiê sobre algumas mulheres que, estando a frente de seu tempo, desempenharam um papel fundamental no mundo, no que diz respeito às injustiças e atrocidades, violência e dominação... quebrando protocolos e colocando-se como marcos na luta pela justiça e igualdade!

Tendo em vista, comemorarmos hoje, dia 25 de Nov, o dia da Luta contra a Violência contra a Mulher, escolhi a Atriz LEILA DINIZ para iniciar essa série.

Leila Diniz, A Mulher de Ipanema, defensora do amor livre e do prazer sexual, é sempre lembrada como símbolo da revolução feminina, que rompeu conceitos e tabus por meio de suas idéias e atitudes.

Estreou no teatro e logo após passou a trabalhar na TV Globo. Fez ao todo 12 novelas, 14 filmes e várias peças teatrais.

Num momento de muita repressão no Brasil, Leila Diniz quebrou tabus da época exibindo sua gravidez de biquine na praia. Chocou o país e a sociedade machista dos anos 60 e 70 com a frase: “ Transo de manhã, de tarde e de noite”. Demonstrando sua total ousadia e repúdio às convenções, Leila Diniz concedia várias entrevistas falando sem vergonha ou constrangimentos sobre seus pensamentos e sobre sua vida pessoa. Causou furor quando, em mais uma entrevista, disse que considerava natural amar uma pessoa e ir para cama com outra e, demonstrando total coragem, disse que já aconteceu com ela.

Não é preciso dizer que este exemplar do jornal foi o mais vendido e após esse fato foi instaurada a Censura Prévia a Imprensa, mais conhecido como Decreto Leila Diniz. Passa a ser perseguida pela polícia política e ironicamente a Rede Globo não renova seu contrato. Há o comentário que a escritora Janete Clair, havia declarado que não haveria papel de prostitutas nas próximas novelas.

Meses depois, Leila reabilita o teatro de revista, e começa uma curta e bem sucedida carreira de vedete. Estrelando a peça tropicalista Tem banana na banda, improvisando a partir dos textos escritos por Millôr Fernandes, Luiz Carlos Maciel, José Wilker e Oduvaldo Viana Filho. Recebe de Virgínia Lane o título de Rainha das Vedetes. No carnaval de 1971, é eleita Rainha da Banda de Ipanema por Albino Pinheiro e seus companheiros.

Faleceu em junho de 1972 num acidente aéreo, no auge da fama, aos 27 anos. Sua filha foi criada pelos amigos, Marieta Severo e Chico Buarque de Holanda.

"Sem discurso nem requerimento, Leila Diniz soltou as mulheres de vinte anos presas ao tronco de uma especial escravidão." Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Minhas Verdades

Minhas Verdades

Por Hévellyn Patrícia


Não me afasto de mim jamais

Não nego o que de fato clama a minha alma

Não nego minhas verdades

Nem as más

Nem as de boa qualidade

Prezo a veracidade

Principalmente a minha

Principalmente as para comigo mesma

Mesmo as não ditas

Até as impensadas

Mesmo as inverídicas

Inverdades camufladas

Que de tão proferidas

Já são de verdade

E nesse jogo de acreditar

Aposto que meus olhos são cor âmbar

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Saberás

Ainda te espero aproximar-se de mim novamente
Com aquele ar doce e infalivelmente inebriante
Com o qual um dia me fizeste apaixonar perdidamente
Não sei se irei sucumbir
Não sei se irei resistir
Só sei que te aguardo com toda esperança que pode caber em um corpo
Só sei que te espero com toda certeza que um dia tu chegarás
Não sei se vou te querer
Não sei se vou te rejeitar
Só sei que desse dia depende o restante de minha salubridade mental
Só sei que do teu retorno faço meu chão e meu caminhar
Não me surpreende que te demores
Não me assusta que tu duvides que esse dia virá
Sei apenas que em mim encontrarás as respostas às quais necessitas para viver
Não sei se as te darei
Não sei pela falta delas te matarei
Só sei que um dia retornarás
E nesse dia tu descobrirás que nunca deverias ter partido

Desde a aurora da minha vida

Mesmo exasperada com o terror do mundo fora de mim

Fora do casulo seguro onde tento firmemente permanecer

Sinto uma pontada de dúvida sobre a realidade que entendo como terror

Não sei até que ponto o real foi construído de forma fantasmagórica

Delineada por uma imaginação doentia que me foi imposta na aurora da minha vida

No momento em que as dores se transformavam numa anestesia corpórea

Empurrando-me cada vez mais para dentro e para o isolamento

Sem que eu pudesse discernir ou me defender de tais influências involuntárias

As quais hoje tento deixar de ser refém

Deixei-me levar e anular-me diante das situações que se apresentavam na minha vida

Até que um dia qualquer

Sem maiores pretensões ou quaisquer indícios de algo diferente no ar

Eu te vi

E naquele exato momento em que meu olhar bateu em tua memorável figura

Tudo pareceu inexoravelmente clarear e fazer sentido

Um emaranhado de interconexões translúcidas materializou-se em minha frente

E de repente eu soube a razão da minha existência

E a significação de todo meu resguardo perante as pessoas que a mim se apresentavam

E eu percebi que era exatamente você, aquele alguém que eu ainda não conhecia

O ser que me faria inteirar-me em mim mesma

E assim o foi.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Antes do sonho

Hévellyn Patrícia – 01/11/2011

Sem minha permissão a vida acontece lá fora

Sem meu entendimento os fatos rompem os lacres da conformidade

E de cheio, atingem meus mais convictos pactos com a mediocridade

Obrigando-me a não mais permanecer no conforto da ignorância

Sou então lançada num mar revolto

Sim, a vida é bem assim, um mar revolto

Os pés, não mais encontrando a segurança de um terreno firme

Ensaia uma desbaratada fuga para onde quer haja o conhecido

Em vão

Nada permanece, por assim dizer, inalterado

Nem mesmo a capacidade de discernir o caminho a seguir

Nem mesmo a desenvoltura de seguir, mesmo sem saber para onde

Tudo está tão fora de lugar e violentamente remexido

Que o próprio entendimento do local exato, onde estou nesse momento

Parece ter-se perdido com vai e vem das ondas que me arrastam para lá e para cá

E um silêncio ensurdecedor me atinge os ouvidos

E pareço sucumbir num abismo sem fim de ausências e impermanências

Não tenho mais forças para continuar a ir e não chegar onde quero estar

Não sinto mais vontade de olhar e enxergar o que temo ver

Não tenho mais coragem de escutar e ouvir o que me recuso a saber

Desvaneço assoberbada, exasperada, exausta

Tombo em solo quente, macio e confortável

Entrego-me a um sono profundo

E chega o sonho enfim, e com ele o sossego da minha alma.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Ser o que sou

Ser o que sou


Donde tirar forças

Quando o brio parece atingido

Quando o espírito está abatido

E o choro começa a brotar

Como erguer a cabeça

Se o moral está destruído

O peito foi muito ferido

E ao casulo me obrigo a voltar

Onde se escondeu a vontade

A paixão , a loucura, o desejo

De buscar o almejado

Quando vai parar de doer

A dor que sinto ao ser

Tudo que sou de verdade

Vaso

Desejos asfixiados na improbabilidade

Admite para si a dor latente do não se concluir

Provável esquiva amedrontada de um ser confuso

Confunde-se por si e em si

Vagando em passeios densos

Possivelmente nas linhas retas da inflexão

Cortejada pela loucura sucumbe ao caos

Deleita-se na leveza da liberdade experienciada

Sem mais temer o medo de sentir medo

Entrega-se

Inspira ar

Expira nada

Olha em volta e aprecia

Não há mais asfixia

Só a dor incongruente da falta irreparável

E a certeza indefectível no rastro da agonia

Que as flores no vaso brotariam

Se nele não houvesse covardia

Numinoso

Todos fazemos a experiência com o Numinoso*. É aquela experiência que nos toma e nos envolve totalmente. Por isso também possui enorme potencial transformador. A experiência de enamoramento e de paixão entre duas pessoas que se amam é uma experiência do Numinoso. A experiência de encontro profundo com alguém, que nos lançou uma luz no meio de uma crise existencial, representa uma experiência com do Numinoso. O choque vital com alguém cheio de carisma, que irradia por sua palavra profética, por sua ação corajosa, por sua personalidade terna e ao mesmo tempo vigorosa, nos comunica uma experiência do Numinoso. A experiência da Presença do Divino e do Sagrado por detrás de todas as coisas e do universo. Presença que se sente no fundo dos olhos de uma criança. E dentro de nosso coração: eis, por excelência, a eclosão do Numinoso.

Numinoso: vem do latim numen que significa divindade. É o sinônimo de sagrado, de fogo interior. Estado de consciência de quem teve uma experiência de encontro e de união com a Suprema Realidade

Trecho do livro: A águia e a galinha

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Sentido de Urgência

Viver significa, por assim dizer, vivenciar vários tipos de sensações. Mesmo quando fugimos e evitamos agir de forma a provocar certas situações, pensando assim em nos poupar de alguns transtornos, ainda assim, essa fuga gera situações outras, pois vivemos num sistema de causa e efeito, também chamado de ação e reação. E tudo, o que fazemos e o que deixamos de fazer, traz e/ou trará conseqüências inevitáveis.

Isso me veio a cabeça justo no momento em que eu estava pensando em outra coisa que também ando descobrindo ser imprescindível para “levar a vida” de forma plena: a urgência. Urgência em sugar a própria vida. Usufruí-la, degustá-la, saboreá-la.

Dizem que em tudo contém o seu oposto. E eu agora acredito, pois eu descobri justamente na ausência, a importância da presença. E não se trata de “ só se dá valor ao que se perde”. É dar valor ao que se tem, quando se tem. E isso foi descoberto, quando perdi o que eu ainda tenho.

Mas o que eu ainda tenho, às vezes se ausenta. Meu pai. As vezes ele não está dentro do corpo que está ali, na minha frente. E isso me causa várias sensações. Confesso que não são boas, mas fazem parte da vida. Fazem parte da minha vida agora. E eu quero e vou viver da melhor forma que eu conseguir.

Quando ele ( meu pai ) some, ou adormece, ou dá lugar a outra pessoa, ou até parece estar em outro tempo... a sensação que consigo definir de forma mais clara, em mim, é que eu pareço sumir também, como se meus pés não estivessem no chão. Ou como se eu tivesse perdido a referência de mim mesma. É como se colocar diante do espelho e não enxergar o próprio reflexo. É assustador. Como estar em queda livre num abismo sem fundo: o estômago embrulha, as mãos gelam e a face aquece.

Com isso surge o que escrevi no primeiro parágrafo, a necessidade de aprender a conviver com o que a vida nos apresenta de forma espontânea. Aprender a lidar com as situações da melhor forma. Sem desespero, sem revolta, sem loucura. Aprender a, quem sabe até, tirar lições dos acontecimentos. Extrair o positivo do que não é positivo, se é assim que certas coisas se apresentam.

Afinal, dois pontos devem ser considerados. O primeiro é que, se envolve outra pessoa, o bem estar da outra deve ser preservado. Principalmente no caso da outra pessoa ser alguém de alto relevo de importância, como um pai. E segundo é que vivemos sob uma lei régia em que a morte faz parte da vida.

Isso me leva ao segundo parágrafo. A noção de urgência. Essa noção está muito presente em mim, ultimamente. E sei que estará presente em mim no resto da minha vida, de agora em diante. Essa noção surge com muita força quando, após alguns momentos ausentes, meu pai retorna. Para o corpo, para o mundo, para mim.

Sinto uma vontade de escutar cada palavra, observar cada expressão, viajar em cada conto, mesmo os exaustivamente repetidos como se fosse a primeira vez. Sinto uma vontade de mergulhar no mundo dele, como nunca fiz. Conhecê-lo como nunca parei para prestar atenção para conhecer. Sinto vontade de sugar um pouco daquela essência de retidão, justiça e honestidade, de me contaminar com aquela grandeza de espírito, de me assemelhar um pouco com aquela capacidade de melhorar, se engrandecer... mudar!! Nossa e como ele mudou.

Enfim... a minha vida urge. Na minha vida cada minuto é precioso, como ou sem ele. Mas sobretudo pelo ensinamento que estou tendo, com ele, sobre a importância de reconhecer essa preciosidade, que é a própria vida.

Não tenho tempo a perder!!

domingo, 16 de outubro de 2011

Com o sentido da Impermanência bem presente e vivo em minha vida
Eu aspiro cada centímetro de ar que me invade as narinas
E respiro cada centímetro de vida que se apodera de mim a cada minuto
Com toda gana que posso
Com toda paixão que concebe o meu ser
Pois a vida... essa é uma eterna impermanência!

sábado, 8 de outubro de 2011

Sim, Culpada!

Sim, Culpada!

Sou culpada e confesso meus desregros e desmesuras.

Sou culpada e assim me considero.

Sou culpada por acreditar na beleza da vida, mesmo quando ela me mostra sua face feia, perversa e agressiva.

Sou culpada por ser, antes de tudo, leal. Leal às pessoas, leal aos meus princípios, leal às minhas verdades mais íntimas.

Sou culpada pelo uso excessivo da sinceridade em meus atos, em meus gestos, em minhas falas, em minhas dúvidas, em meus tormentos, em minha loucuras, em minhas exposições enfim.

Sim, sou culpada por asseverar a primazia do amor em minha vida. Por entender que ele (o amor ) pode, deve e assume o controle direcional da minha mente, exercendo total influência em meus pensamentos e reflexões, sempre que eu, por fraqueza, desorientação ou incapacidade, titubear diante das agruras.

Sou culpada, sim, totalmente culpada, por não me acovardar jamais diante dos medos, receios e pavores que as decisões a serem tomadas possam me provocar. Jamais delegando a terceiros, ao destino, à vida, ao acaso, à Deus, ao universo ou às coincidências, que desempenhem as tarefas, decisões e/ou escolhas designadas a mim.

Sim, sou culpada por amar sempre da forma mais voraz, mais intensa, mais verdadeira, mais entregue e mais convicta que meus sentimentos assim se pronunciem.

Sou culpada e mereço o castigo, por me entregar às paixões de forma tão desmesuradamente livre da culpa, do pecado, dos medos do que por ventura tais entregas possam me acarretar em termos de dor, angústias ou frustrações.

Culpada sou, por acreditar cegamente na força abundante que existe dentro de mim, que me rege, sustenta e que me empurra com veemência para a interação com as infinitas possibilidades dos mundos das pessoas que me cercam.

Sim, mil vezes culpada pela coragem de viver de peito aberto para receber de bom grado o que a vida me trás.

Sim, invariavelmente culpada pela crença inabalável nas pessoas de bem, de bom coração e de caráter virtuoso. E por crer que estas, são sim, maioria no mundo.

Culpada confesso-me e considero-me, por acreditar que Deus está em tudo e acima de todos nós e a tudo ver. E por sua misericórdia, não cabe a mim, julgar, fazer justiça ou vingar-me (ou qualquer outra coisa que o valha ), para compensar quaisquer sensações de injustiças, ou desrespeitos, que por vezes me invadem corpo e mente.

Sou culpada pela alegria que me invade as narinas todas as manhãs, quando desperto para um novo dia cheio de graças.

Sim, sou culpada por sentir-me imensamente feliz, quando sorrio ou mesmo quando choro. Mas feliz pela oportunidade de experienciar a vida por excelência, sendo alheia ao que tal felicidade, possa por ventura causar às pessoas a minha volta.

Sendo culpada como sou, condeno-me nesse momento a prosseguir na trilha da vivência, da aprendizagem e da serenidade. E a continuar a deliciar-me nas gostosas subidas e descidas que as curvas dos acontecimentos me propiciam, seja agradecendo nas subidas, seja apertando o cinto das descidas. Mas com clareza de espírito para entender que é o amálgama das situações diversas ( e adversas ), o responsável pela riqueza infinita que buscamos na eterna construção do nosso ser.

Hévellyn Patrícia - 07/10/11

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Dispositivo do Foda-se

Descobri esse dias, algo mágico, de extrema importância para conseguirmos superar os momentos difíceis em que constantemente somos defrontados.

Chama-se Dispositivo do Foda-se

É mágico!

Veja alguns exemplos que podemos lançar mão dele

Naquele trânsito infernal, onde não adianta esmurrar o volante, nem esbravejar contra a própria sorte... Ligue o Foda-se e relaxe. Nada vai mudar com seu estresse.

Quando aquela ligação tão esperada não acontece, não adianta olhar para o telefone de 30 em 30 segundos... Acione o Foda-se e vá ler um livro ou a sua agenda telefônica em busca de novos nomes de pessoas que possam te ligar. Pelo menos o tempo entre uma olhada e outra para o telefone aumentará consideravelmente.

Quando as questões da prova não coincidem com o conteúdo estudado e tudo parece perdido... Disponha do Foda-se imediatamente e passe a pensar na prova final, assim certamente você terá mais tempo para estudar e não gastará tempo pensando no leite derramado, ou melhor na prova bem realizada

No momento em que as contas estão chegando, além do que anotado anotado no caderninho das contas a pagar e as cartinhas do Serasa começam a encher sua caixa dos correios, Lance mão do Foda-se com vontade e vá tomar uma cerveja. Afinal, arrancar os cabelos não pagarão as contas.

Se a pessoas que você sonha, deseja e alimenta a esperança de ter nos seus braços, optou por outra pessoa... Giro o botão do Foda-se no máximo volume e olhe para o lado e perceba quantas pessoas interessantes estão a sua volta.

Quando seu chefe cobrar aquela meta inalcançável mais uma vez... Ligue o Foda-se, sorria para ele e pense: sua comida de rabo certamente é maior que a minha, seu filho da puta, isso fará com que você se sinta muito mais feliz e quem sabe até alcance a tal meta.

Enfim, o Foda-se pode ser utilizado nas situações mais diversas, basta apenas que você faça bom uso dele e não necessita de moderação, ele está para facilitar a nossa vida, diminuindo os estresses e maximizando nossas possibilidades.

E se você acha que esse tal mecanismo é uma falta de escrúpulos de quem o escreveu, quem o considerou, e de quem o utiliza: Foda-se.

Nossa... que leveza!!

Sábios Ranzinzas

Nós costumamos achar as pessoas mais velhas, mais intolerantes. Geralmente elas são, ao ver das pessoas mais novas e certamente menos experientes, pessoas com um grau de intolerância elevado, em outras palavras, pavio curto, ranzinza, rabugentos mesmo...

Paradoxalmente, muitas pessoas mais velhas passam a ter um olhar menos crítico, no que diz respeito às incontáveis falhas e equívocos dos mais novos. Parece que a paciência torna-se mais presente e a temperança parece apenas se fazer presente nesse estágio da vida.

Se o que eu estou dizendo não parece ter lógica, certamente é porque você ( leitor ) é um jovem ou ao menos ainda não consegue enxergar que a vida pode ser menos tempestiva.

Tenho observado com meticulosa atenção o comportamento de pessoas mais velhas ultimamente e percebo facilmente esse comportamento, aparentemente dúbio, mas que na realidade é apenas a maturidade e a experiência, unindo-se à percepção de que os anos se passaram rapidamente e que apesar do muito vivenciado, muito tempo foi perdido, jogado fora com pequenas coisas, como preocupações, tensões, hábitos e preceitos, muitas vezes adquiridos, entre outras coisas. E nesse estágio da vida, onde a própria vida passa a ser mais valorizada, cada minuto passa a ser um instante precioso.

É com esse raciocínio em mente, que entendemos esse comportamento típico das pessoas mais experientes e que podemos chamar de sabedoria.

As pessoas mais sábias não perdem tempo com picuinhas que afetam o desenrolar das situações; com ironias que afetam o entendimento e a veracidade dos sentimentos; com preocupações que em nada podem alterar o destino do que há de vir; com medos que impedem que momentos felizes sejam vividos, com medo de que tais momentos acabem, e com tais coisas perdem a paciência, se apoquentam e rechaçam veementemente para longe de si e acabam por irritar-se com os que deles fazem uso freqüente.

Por outro lado, sãos as pessoas mais sábias que entendem os comportamentos mais passionais, extravagantes, gritantes, de cunho até agressivo, que denotam a personalidade a se formar, as lutas pelas liberdades utópicas, as paixões juvenis por assim dizer... por entenderem que são essas as atitudes que fazem a vida valer a pena. O que é feito com o coração para vivenciar o alívio da alma, libertando as paixões que apertam o peito.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Preciso

Beijo.
Preciso de um beijo.
Preciso do teu beijo.
Preciso dos teus lábios.
Preciso dos meus lábios nos teus.
Da tua respiração ofegante.
Da minha respiração na tua.
Das nossas peles juntas.
Das minhas unhas nas tuas costas.
Das tuas mãos nas minhas coxas.
Do teu suor em meu corpo.
Da tua língua em meu vício.
Do teu sussurrro em meu ouvido.
Das tuas palavras em cima das minhas.
Do teu movimento impulsivo.
Da tua vibração constante.
Da tua explosão selvagem.
Do teu descanso forçado.
Do teu corpo cansado sobre mim.

Preciso, compulsivamente, de um beijo teu.

Tonta

Tonta

Hévellyn Patrícia – 21/09/2011


Vontade de mergulhar

Penetrar a tua boca

Sorver tua língua

Senti-la toda

Encostá-la na minha

E sugar com força

Beber tua saliva

Até ficares tonta

Tonta

domingo, 2 de outubro de 2011

Em noite sem estrelas um rapaz, cansado do dia, chega em casa e encontra um bilhete em sua mochila.

"me desculpa.
não queria te dizer aquilo, foi uma atitude não pensada.
me desculpa pelas palavras escritas e faladas por impulso.
não te quero longe, nunca quis.
não quero mais silêncio, nem distância.
tenho tanta coisa pra te dizer. te quero tanto ao meu lado.
me desculpa.
ainda te quero como antes."

O rapaz foi para a janela e viu uma estrela brilhar.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Como tomamos uma decisão?

Não consigo definir qual das nossas polaridades mentais utilizamos quando precisamos e efetivamente tomamos uma decisão. E tenho cá minhas dúvidas, sobre o efeito de uma sobre outra. E da outra sobre uma.
Embora racional e biologicamente, o coração não seja nada mais que uma bomba para fazer o sangue circular, simbólica e romanticamente ele é o reduto de todas as nossas emoções. E não há quem duvide do poder da simbologia... aliás, somos puramente simbologias!
Uma decisão pode ser tomada utilizando-se para isso a razão, mesmo quando o objeto seja de cunho emocional. Assim como algo pode ser decidido sob a égide das emoções, mesmo que tal decisão esteja no patamar da racionalidade.
O porém é, até que ponto uma interfere na outra?
Até que ponto o indivíduo pode (ou se atreve) a misturar tais polaridades, sem aceitar a possibilidade nefasta de sofrer terríveis consequências?
Lembrei agora da Águia e da Galinha... o que somos? Em que nível estamos. Quanto do sol deixamomos nos invadir a alma?

Talvez nesse momento eu esteja usando a razão e estipule que razão está para o corpo, assim como a emoção está para a alma. A galinha está para a razão, assim como a águia está para a emoção. O corpo está para a matéria, assim como a alma está para o espírito.

Mesmo com toda a lógica, isso não parece ser puro raciocínio. E nesse momento razão/emoção parece separar-se por uma linha tênue. Não parecem mais tão polares assim.

Mesmo assim, não consigo definir. Achei que ontem tomei uma decisão baseada no sentimento, que estaria ligada a emoção, logo eu seria uma águia, deixaria o sol tocar a minha alma, o qual alimentava meu espírito. Porém, como fui indagada ( quase afirmativamente) que só tomei tal decisão, por analisar a lógica dos fatos, comecei a me questionar.

Porém, ainda sem resultados...

domingo, 25 de setembro de 2011

Coletividade da unicidade

É quando a ansiedade toma conta de todo nosso ser, comandando nossos pensamentos, comprimindo nosso peito, sufocando nossa respiração, acelerando nossa pulsação de modo tão enlouquecedor que esquecemos que vivemos por nós próprios e não pelo ser desejado... é nesse momento que o universo se encarrega de mostrar o tamanho de nossa esputidez e pequinez... que bobos somos por acreditar no limite da vida.
Não há limite... o amor é o limite... e só ele nos liberta completamente das nossas restrições.
Só o amor eleva o nosso patamar para alturas nunca antes tagíveis.
Só ele nos expande e nos coloca em contato com a realidade transcendente da vida.
Amar é sentir o que está na coletividade única da unicidade de cada ser.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Postagem minha no Adejos Sociológicos...

Reflexões sobre a relação entre Certeza, Ignorância, Religião e Política

Qual o inimigo natural (e fatal ) da ciência?
Essa foi uma pergunta feita na sala de aula ontem, cuja resposta, me tirou do lugar, ao qual costumo ir constantemente ( um hábito miserável ). Um lugar chamado CERTEZA.
Certeza por si só, já é um “inimigo” da ciência. Se tivermos certeza, não precisaremos ir à procura de mais nada. Por outro lado, se temos DÚVIDA, sempre buscaremos ter “certeza”, ou seja, sempre buscaremos mais informações.
Mas, e quanto ao inimigo natural da ciência?? Esse inimigo se chama IGNORÂNCIA.
Como ficou muito bem explicado, ignorância no sentido de “não buscar” a informação. Não pesquisar “mais”, não dar um passo além, um passo à frente.
Entendo, também, como sendo uma estagnação ou como comodismo. Algo como a tal zona de conforto.
Por preguiça de ir, aceito o lugar onde estou e fico por aqui mesmo.
Ou, pela CERTEZA que tenho, que minhas concepções estão corretas, não preciso de mais informações. E, além disso, ( o que é pior ) nego tudo que for contrário a essas concepções. Sem precisar analisar mais nada, pois eu já tenho certeza do que é e de que está CERTO.
Sei o que está ABSOLUTAMENTE certo. INEGAVELMENTE certo. IRREVOGAVELMENTE certo.
Definitivamente, grandes inimigos. E esses inimigos da ciência parece que estão invadindo todas as áreas, inclusive a política, e se não tomarmos cuidado seremos todos tragicamente afetados.

Lendo e observando tudo que acontece em torno da disputa eleitoral, acho que a IGNORÂNCIA está nos sufocando.
Enquanto a certeza se propaga e assume papéis reivindicatórios.
Certezas plenas, baseadas na ignorância cega ( se não for cega, talvez não seja ignorância, seja dissimulação mórbida e atroz ) que na verdade apenas são camuflagens do PRECONCEITO, da DISCRIMINAÇÃO, da INTOLERÂNCIA, do RACISMO, do ETNOCENTRISMO, da SEGREGAÇÃO. Tudo sendo PROPAGADO, DISSEMINADO, INFLADO, INCENTIVADO em nome de deus.
Mais um pouco e viveremos um APARTHEID RELIGIOSO.

Já imagino: em Jaboatão só os evangélicos co-habitarão; no Recife, apenas os católicos serão aceitos; em Olinda, só umbandistas poderão subir as ladeiras; Paulista será o Quilombo do movimento dos “ sem religião”; e em Camaragibe e Zona da Mata adentro, tod@s militantes de qualquer segmento, se refugiarão, armados fortemente com metralhadoras e fuzis, para se protegerem contra as investidas da “new opus dei” que se filiarão aos “neo nazistas”, para dizimar da face da terra todo sangue impuro, praticantes do satanismo, como ateus, judeus, gays, lésbicas, feministas, filantropos, negr@s, maconheir@s e claro os professores que tentarão, através do conhecimento ensinar a “heresia do papa”, ou seja, ensinar que pode haver outra forma dos humanos conviverem harmoniosamente uns com os outros, isso se houver tolerância e respeito pela diferen...(êpa, o professor caiu morto com uma bala na cabeça )

Ufa!, acho que acabei de ter um pesadelo. Mas me pareceu tão real, que estou em dúvida da sua veracidade, me pareceu tão familiar... alguém pode me beliscar?
Tudo bem, dizem que os sonhos ( ou pesadelos ) às vezes refletem um pouco as coisas que vivenciamos ou pensamos constantemente. E lembro bem que pensei nisso, quando ouvi um pastor dizer que jamais celebraria um casamento gay, porque isso é contra deus. Lembrei disso também quando li um texto sobre o feminismo em que dizia que a igualdade entre homens e mulheres é uma blasfêmia, pois assim como no corpo humano um lado sempre tem mais comando que o outro, assim deve ser a convivência entre os dois sexos.
Então, pode ser que meu pesadelo tenha uma razão de ser.
E por falar em razão, lembrei de uma frase que Gisela escreveu num dos comentários dela aqui no blog:
"Violência ainda não foi derrubada pela razão humana".

Pois é, parece que a razão humana está sendo admoestada pelas certezas religiosas e pela intolerância pregada por muit@s interpretadores da bíblia (quando o fazem de forma literal e/ou de forma manipuladora) e que estão em sua liderança (religiosa).

E, além disso, se por um lado os educadores não estão apaixonados por suas profissões para ensinar os alunos a pensarem e entenderem a realidade em que vivem com clareza e sem a manipulação inerente ao sistema educacional como um todo, que justifica a manutenção do próprio “sistema” e com isso geram milhares de “ovelhas” para o pasto, do outro lado tem muita gente utilizando-se da “prática educacional” e da dialética, ou da lábia, pra persuadir e atrair milhares de fiéis que necessitam de algo “sólido” para se agarrarem. Já que a razão adormecida na ignorância mais parece um pântano escorregadio e perigoso, no qual quem nele se aventura estará sujeito a queimar eternamente no mármore do inferno ( ou qualquer outra coisa que o valha ).


Engraçado é que eu intentava falar de política, quando comecei a escrever esse texto. É, mas política e religião não é praticamente o pleito eleitoral do momento?



OBS.: a palavra deus no texto acima aparece com a inicial em minúsculo, em respeito ao meu Deus, que não é esse deus do qual falam por ai, que prega a discórdia, a vingança, a segregação, a tirania, o preconceito. Muito menos vende o lugar no céu.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

enquanto as palavras nao fazem as pazes comigo...

O amor nao se manifesta pelo desejo de fazer amor (esse desejo se aplica a uma serie inumeraveis de mulheres), mas pelo desejo do sono compartilhado (este desejo diz respeito a uma so mulher)

MILAN KUNDERA

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Confirmação de uma certeza


Hoje as palavras são só intrigas, estão de mal comigo. Estão secas, áridas, ásperas...
Tenho tanto líquido a jorrar, mas os olhos estão secos, secos como estão as minhas palavras
Apenas uma atonicidade paralisante controla meus ser, meu corpo
Me empurrando contra a cadeira
Silenciosa, mergulhada num mar sem fim de obscuridade
Nenhuma palavra audível pode ser pronunciada
Para que eu não corra o risco de, ao pronunciá-las, afogue-me em meu mar de águas salgadas
Salobras
Não... na verdade são águas claras, bem claras. Tão claras que posso ver o tamanho abissal do infinito de sentimentos que há em mim
E isso me amedronta e paralisa cada átomo do meu corpo prostrado na cadeira
Inerte, pasmo, sofrido
As confirmações de nossas certezas podem doer mais que as surpresas desconfortante do inesperado
Por isso as palavras não me ajudam a sair do mar
Apenas protelam a agonia me fazendo respirar por respirações boca a boca, feitas pelas palavras secas e vazias de sentimentos que me ajudam a não me afogar.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

A transformação de um sentir

Sentir um pensamento constante
Saborear o pulsar provocante
E não ter coragem para ir adiante
Isso se chama covardia

Ser o três onde o dois já existia
Alimentar o fogo onde a água escorria
Permanecer na saudade doque não viria
Isso se chama melancolia

Entender que o mundo gira
Encarar a força que tem uma vida
Sem medo de dobrar a esquina
Isso se chama valentia

Acreditar que tudo é possível
Até quando tudo parece perdido
Sem receio por sentir, sofrer ou doer
Isso se chama viver

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Sede que não passa

Que sede é essa que me toma por completo
Inunda a boca com um prazer deserto
Tem gosto de menta doce e quente
Adoça, aquece e atormenta

Que sede é essa que me invade e me persegue
Que me inquieta, me acende e não se atreve
Me domina, sobretudo ausente
Me domina, me submete

Que sede é essa que não passa
Nem com água nem com carícia
Parece que nada a sacia

Sinto o deserto arder na boca minha
Sem dó, sem pena, sem cura
Pois só tua saliva me inundaria









terça-feira, 6 de setembro de 2011

Um encontro, apenas

Um encontro, apenas

Hévellyn Patrícia - 06/09/11

Deveria ser apenas um encontro

O reinício de uma linda amizade

Mística talvez, pela sensação enigmática, que suplantava a racionalidade

Era novo, até onde a mente podia lembrar

Era eterno, desde o eco que em minha alma, eu sentia vibrar

Não tentei recuar, nem pude optar

Como lutar contra o que lhe é imposto

Como luta contra o doce, penetrante

Apaixonante

Era para ser só um encontro

Mas a pele ardia, aquecia, emanava energia

A pele sentia

Denunciava talvez o que não queríamos

Ou queríamos e ainda não sabíamos

Assim mesmo íamos

A confiar no tato

Apenas ao tato, nos permitíamos

Era para ser apenas mais um encontro

E tudo mudou

Tudo foi desvendado, exposto e anunciado

E tudo ficou leve e pesado

Amalgamado

Livre e aprisionado

Não era pra ser apenas um encontro

Mas foi, apenas

Discurso e Ação

Nem sempre nosso discurso é coerente com nossas ações. E algumas vezes nossas ações são guiadas para romper com as barreiras previsíveis do politicamente correto, do esperado, do coerente e aceitável.

Enquanto o discurso está revestido e entranhado de lógica, métrica ( uma paranóica tentativa de perfeição), a ação não mediada pela racionalidade está embriagada pela paixão dos seres sedentos pelo pleno viver.

Talvez, discurso e ação, sejam em si, o perfeito mediador e/ou catalisador, direta ou inversamente proporcional, um do outro. Um sirva para demonstrar o grau de incongruência manifesto nas suas aplicabilidades isoladas.

Passar a vida no mundo das ações apaixonadas pode ser perigoso pela falta de um terreno firme onde pisar e firmar nossas convicções. Já no mundo dos discursos, há o sério risco de simplesmente não nos darmos conta da essência humana e imperfeita das nossas emoções.

Cruzar paralelas é o desafio. Será que se cruzam em algum momento? Ou servem apenas como parâmetro de comparação uma para a outra, realizando cada qual seu papel, exatamente onde e como estão, modificando-se mutuamente à medida em que são consideradas, juntas ou isoladamente?

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Um pensamento

O que faz uma pessoa se apaixonar por outra não são as coisas que são ditas com palavras, são aquelas que refletem no nosso interior e fazem transbordar o que de melhor há dentro de nós!!

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Entendimento

Entendimento

Hévellyn Patrícia 27-08-11

Há momentos em que as explicações deixam de ser necessárias

Se elas perduram, passam a ser inoportunas

Se ainda insistem em permanecer, tornam-se perigosas

Passamos a correr o sério risco de sucumbirmos ao seu efeito contrário

Ao equívoco

Por não mais enxergarmos a tênue linha que separa o que deve ser entendido por explicação

Do que deve ser entendido apenas através das vibrações não verbais

As sensações, as emoções, os sentimentos

Estes não requerem palavras

Muito pelo contrário, exigem silêncio, calmaria, relaxamento e respiração

Para que ouçamos, em sussurros doces, ao pé do ouvido, verdades universais

Nada mais que cânticos de amor

E estes possam ecoar retumbante em cada célula do nosso corpo

Todo entendimento necessário à vida

Ultrapassando qualquer vã tentativa de explicação por falácias maldizentes

Que tanto nos acostumamos a dar e receber

E o mais belo foi que tu me ensinaste tudo isso, também sem palavras

Apenas no roçar das nossas mãos, no carinho entre nossos dedos

Um encanto ao qual já me rendo

Rubem Alves



"Quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão somente andar ao lado de Deus.

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo. O essencial faz a vida valer a pena. Basta o essencial!"

Rubem Alves.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Meu Céu Particular

É quando perdemos a confiança na humanidade e não mais identificamos humanidade essencial no ser humano; quando a única referência que temos de lealdade é aquela com a qual somos gratuitamente presenteados pelo nosso cão ( lealdade por sinal, indiscutível); quando as palavras, inclusive e/ou principalmente, as declarações de amor tem prazo de validade; quando percebemos a liquidez do amor em cada tentativa de relacionamento; quando tudo que há de relevante na alteridade é o consumível, o possuível, desfrutável... é nesse momento em que o céu parece desabar sobre nossas cabeças.

E quão bom seria se o céu fosse àquele azul, o qual contemplamos, quando não há nada mais importante para fazer. Mas não é, é outro. É um outro céu, que existe em mim. Tão grande, tão infinito e desconhecido como o que está sobre nossas cabeças. É o meu céu particular, uma imensidão inquisidora.

Por um momento achei (e quase enlouqueci por esse “achar”) que apenas eu o possuísse. Que apenas eu estava totalmente amedrontada por perceber o desabar iminente do meu céu. (Céu, no qual, por muitas vezes eu me deliciei em vôos panorâmicos, que me faziam apreciar as belezas das virtudes humanas em total harmonia, ou em vôos rasantes que me alimentavam a alma, tamanha a energia dos sentimentos que de tão perto eu os vivia ). E que ninguém mais se importava com ele, ou não o tinham.

Sugestionavelmente achei que tudo era apenas uma questão de imaturidade. Infantilidade à flor da pele. E que os adultos eram mesmo assim: duros, frios, desleais, ambiciosos, arrogantes, insensíveis, pouco éticos etc, etc.

Mas foi apenas sugestão. Não tenho talento para sugestão, não me considero uma pessoa sugestionável. Mas é evidente o gigantesco talento de muitas pessoas para a manipulação. A mais crua, dissimulada e desonesta, manipulação.

Recentemente, numa conversa informal, fui chamada de inocente. O que me remeteu automaticamente à pensamentos antigos sobre a natureza do ser humano. Pus-me a pensar com meus botões, um tanto desalentada e desiludida. Pois aceitar que o problema era o fato de eu ser “inocente”, por estar decepcionada com as pessoas, era o mesmo que corroborar a natureza nefasta da humanidade.

Mas a conversa prosseguiu e meu interlocutor, inicialmente tímido e até um pouco retraído, permitiu-se relaxar aos poucos e eu acabei por perceber o que claramente estava sendo oculto atrás da timidez e também atrás das palavras que tentavam me abrir os olhos para o tal mundo cruel. Mundo cruel aliás, que eu, naquele momento, sentia seus efeitos negativos nas entranhas, mas relutava em acreditar que ele seria único e intransponível.

Com o passar das horas, a conversa que já havia derretido as incertezas iniciais, passou a ficar mais espontânea, mais livre, mais aberta e mais bela. E mesmo sem saber as impressões do meu interlocutor sobre essas horas de bate papo, eu já me encontrava totalmente modificada. Estava cheia de um entusiasmo contagiante, alegre, feliz, tranqüila. Sentia-me cheia de esperanças novamente. Mesmo sem perceber, eu estava novamente crendo na vida, na felicidade e sobretudo nas pessoas. Algo realmente mágico aconteceu.

No início daquela noite, fui pra casa muito feliz. Encantadoramente feliz. Espiritualmente feliz. Sim, era algo que ultrapassava a razoabilidade do palpável, do mensurável. Era algo que emudecia meus conflitos, meus desconfortos, e toda minha descrença no ser humano.

Aquela pessoa mudou a minha vida ou pelo menos, minha forma de olhá-la, de encará-la, de vivenciá-la e saboreá-la.

Usando a racionalidade costumeira, tentei analisar o que aconteceu. Percebi muitas coisas importantes, porém uma das mais importantes que percebi foi que, apenas consegui sentir todas as energias que vibravam, no momento em que me permiti não analisar e sim sentir. Bem aquela famosa frase de Saint Exúpery: “ Só se enxerga verdadeiramente com os olhos do coração”.

Outra coisa que consegui extrair dessa afortunada conversa, foi que sim, há esperanças porque no mundo há pessoas lindas, honestas, amorosas e altruístas, que valorizam o ser humano e sua essência. Pessoas que apenas sendo elas mesmas, conseguem extrair e exteriorizar a beleza do outro.

Sim, há esperanças! E agora sei que vale apenas sonhar com um céu resplendorosamente azul pairando sobre as cabeças de todos. E nesse céu, há um sol aquecendo e iluminando cada alma vivente, na intenção de que cada uma passe a vibrar as mesmas energias dividas que pude entrar em contato naquele dia.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Na Memória

Teu sorriso entalhado nas paredes da minha memória longínqua

As vezes parece um pouco amarelado

E você parece um pouco entristecida

Ou são as lágrimas que turvam meus olhos

Teu sorriso entalho nas paredes da minha memória ambígua

Refletem tanto a felicidade quanto as dores

Principalmente às do parto

Para mim um tanto prematuro e um tanto atrasado

Aquele teu sorriso entalhado nas paredes do meu quarto

Já não o vejo, onde estará?

Acho que ainda permanece nos teus lábios

Sorrindo largamente para um outro ser amado.


Hévellyn Patrícia

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Por que não?

Estive pensando sobre o quanto de nós mesmos, é produto puramente construído pelas exigências e força coerciva de nossa sociedade.

Qual será a parcela de verdade, verdadeiramente nossa, existente na verdade em que vivemos? Será que escolhemos nossa profissão por aptidão, dom, paixão, ou por ser àquela a qual me renderá mais rendimento financeiro e conforto futuro, ou ainda, àquela a qual está tradicionalmente implantada no seio familiar e/ou que me possibilitará gozar de um certo status?

Será que o estilo musical de minha preferência alimenta a minha alma e me enche de vida, ou apenas me faz sacudir esqueleto e esquecer do vazio que toma conta do meu ser, todas as vezes em que o silêncio fere meus tímpanos, com minhas verdades negadas ou mentiras às quais preciso enormemente acreditar?

Será que o deus no qual cremos é o mesmo que habita nosso íntimo mais profundo ou tal crença é apenas o eco dos ensinamentos amedrontadores que nos faziam ficar quietos, obedecer e não mentir, para não irmos para o inferno, sobreviver ao dia do juízo ou para não “deixarmos triste” o criador?

Será que a comida japonesa é ruim realmente ou apenas fomos ensinados que tudo precisa ser cozido e de cara renegamos tudo que for cru, conseqüentemente entronchando a cara para qualquer lâmina de sushi ou sashimi?

A questão é: quanto estamos dispostos a enveredar por novos caminhos, perdendo-nos por novos becos, guetos e vielas; experimentando novos sabores, mais doces, os mais picantes, os mais exóticos; conhecendo outras crenças, outros ritos, as diversas formas de cultuar a divindade, formas de manifestar a grandiosidade da fé; aprendermos novos ritmos, dançando uma valsa, um tango ou um xaxado, escutando Bach, Jobim ou Preta Gil, uma orquestra sinfônica, um reague ou qualquer ritmo, sabor, paisagem, sensação, que nos remova do cômodo estado do “ domínio”.

Acredito, (e esta é uma nova forma de crença que ainda estou na superfície) que a melhor forma de descobrir o novo é perdendo-se. Assim como nas fases do aprendizado, a confusão ( ou seja, quando parece estar mais perdidos) é o sinal de que estamos aprendendo. Quando nos perdemos, somos obrigados a fuçar, andar pelo desconhecido, prestar mais atenção e é ai que um verdadeiro mundo novo se materializa na nossa frente.

Mas não fomos acostumados a isso. Não fomos treinados para perceber as várias nuances do mesmo. Fomos doutrinados a seguir um caminho apenas e seguimos e muitas vezes sequer nos damos conta dos outros caminhos ou se damos conta de sua existência, é para taxá-lo de qualquer coisa que represente sua inferioridade diante das nossas escolhas.

Isso tudo representa nossa pequinês diante da vida. Representa a única e pequena janela pela qual nos debruçamos para olhar o mundo. E o nosso mundo é do tamanho de tal janela.

O que nos faz realmente humanos é a capacidade de pensar, então, pensamos nos problemas, criamos problemas, criamos distâncias, separações, intrigas, pensamos em como manter o poder, os privilégios. Criamos regras para nos diferenciarmos e nos destacarmos da “grande massa”, burra, ignorante, desqualificada. Construímos grades de afetação para não nos misturarmos com toda sorte de gente desprivilegiada.

O que nos torna humanos são nossos sentimentos, nossas paixões e nós canalizamos tais paixões e as extravasamos nas agressões, indiferenças, humilhações, violências, discriminações, preconceitos, intolerâncias, rispidez, arrogâncias.

E eu, ainda que buscando o novo, lembro-me de todo o velho de sempre, que está tão presente e que é tão cultuado. Ainda!

Mas, penso eu, será que o velho, não é apenas o comum, o conhecido? A única forma apresentável de se chegar a algum lugar? Essas tendências à injustiça, desavença, violência, a arrogância... será que não é a falta de amplitude no olhar?

Por que não tentar o novo? Experimentar!

Por que não olhar para dentro de si e ser gentil consigo mesmo. Fazer um mimo, um carinho, um afago. Olhar dentro dos próprio olhos, diante do espelho até enxergar a imensidão do mar, a infinitude do universo, as misturas e danças das cores no céu ao pôr do sol. E quando enxergar essa dimensão, sorrir para si mesmo e partir para o mundo externo, ciente da nossa transitoriedade nesse mundo. E quem sabe, gastar um pouco da nossa razão e sensibilidade para tentar, por que não, poetizar o grande paradoxo da nossa existência: nossa pequinês diante do desconhecido universo e nossa grandiosidade se considerarmos a complexidade do nosso mais profundo, belo e igualmente desconhecido SER.