sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Ser o que sou

Ser o que sou


Donde tirar forças

Quando o brio parece atingido

Quando o espírito está abatido

E o choro começa a brotar

Como erguer a cabeça

Se o moral está destruído

O peito foi muito ferido

E ao casulo me obrigo a voltar

Onde se escondeu a vontade

A paixão , a loucura, o desejo

De buscar o almejado

Quando vai parar de doer

A dor que sinto ao ser

Tudo que sou de verdade

Vaso

Desejos asfixiados na improbabilidade

Admite para si a dor latente do não se concluir

Provável esquiva amedrontada de um ser confuso

Confunde-se por si e em si

Vagando em passeios densos

Possivelmente nas linhas retas da inflexão

Cortejada pela loucura sucumbe ao caos

Deleita-se na leveza da liberdade experienciada

Sem mais temer o medo de sentir medo

Entrega-se

Inspira ar

Expira nada

Olha em volta e aprecia

Não há mais asfixia

Só a dor incongruente da falta irreparável

E a certeza indefectível no rastro da agonia

Que as flores no vaso brotariam

Se nele não houvesse covardia

Numinoso

Todos fazemos a experiência com o Numinoso*. É aquela experiência que nos toma e nos envolve totalmente. Por isso também possui enorme potencial transformador. A experiência de enamoramento e de paixão entre duas pessoas que se amam é uma experiência do Numinoso. A experiência de encontro profundo com alguém, que nos lançou uma luz no meio de uma crise existencial, representa uma experiência com do Numinoso. O choque vital com alguém cheio de carisma, que irradia por sua palavra profética, por sua ação corajosa, por sua personalidade terna e ao mesmo tempo vigorosa, nos comunica uma experiência do Numinoso. A experiência da Presença do Divino e do Sagrado por detrás de todas as coisas e do universo. Presença que se sente no fundo dos olhos de uma criança. E dentro de nosso coração: eis, por excelência, a eclosão do Numinoso.

Numinoso: vem do latim numen que significa divindade. É o sinônimo de sagrado, de fogo interior. Estado de consciência de quem teve uma experiência de encontro e de união com a Suprema Realidade

Trecho do livro: A águia e a galinha

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Sentido de Urgência

Viver significa, por assim dizer, vivenciar vários tipos de sensações. Mesmo quando fugimos e evitamos agir de forma a provocar certas situações, pensando assim em nos poupar de alguns transtornos, ainda assim, essa fuga gera situações outras, pois vivemos num sistema de causa e efeito, também chamado de ação e reação. E tudo, o que fazemos e o que deixamos de fazer, traz e/ou trará conseqüências inevitáveis.

Isso me veio a cabeça justo no momento em que eu estava pensando em outra coisa que também ando descobrindo ser imprescindível para “levar a vida” de forma plena: a urgência. Urgência em sugar a própria vida. Usufruí-la, degustá-la, saboreá-la.

Dizem que em tudo contém o seu oposto. E eu agora acredito, pois eu descobri justamente na ausência, a importância da presença. E não se trata de “ só se dá valor ao que se perde”. É dar valor ao que se tem, quando se tem. E isso foi descoberto, quando perdi o que eu ainda tenho.

Mas o que eu ainda tenho, às vezes se ausenta. Meu pai. As vezes ele não está dentro do corpo que está ali, na minha frente. E isso me causa várias sensações. Confesso que não são boas, mas fazem parte da vida. Fazem parte da minha vida agora. E eu quero e vou viver da melhor forma que eu conseguir.

Quando ele ( meu pai ) some, ou adormece, ou dá lugar a outra pessoa, ou até parece estar em outro tempo... a sensação que consigo definir de forma mais clara, em mim, é que eu pareço sumir também, como se meus pés não estivessem no chão. Ou como se eu tivesse perdido a referência de mim mesma. É como se colocar diante do espelho e não enxergar o próprio reflexo. É assustador. Como estar em queda livre num abismo sem fundo: o estômago embrulha, as mãos gelam e a face aquece.

Com isso surge o que escrevi no primeiro parágrafo, a necessidade de aprender a conviver com o que a vida nos apresenta de forma espontânea. Aprender a lidar com as situações da melhor forma. Sem desespero, sem revolta, sem loucura. Aprender a, quem sabe até, tirar lições dos acontecimentos. Extrair o positivo do que não é positivo, se é assim que certas coisas se apresentam.

Afinal, dois pontos devem ser considerados. O primeiro é que, se envolve outra pessoa, o bem estar da outra deve ser preservado. Principalmente no caso da outra pessoa ser alguém de alto relevo de importância, como um pai. E segundo é que vivemos sob uma lei régia em que a morte faz parte da vida.

Isso me leva ao segundo parágrafo. A noção de urgência. Essa noção está muito presente em mim, ultimamente. E sei que estará presente em mim no resto da minha vida, de agora em diante. Essa noção surge com muita força quando, após alguns momentos ausentes, meu pai retorna. Para o corpo, para o mundo, para mim.

Sinto uma vontade de escutar cada palavra, observar cada expressão, viajar em cada conto, mesmo os exaustivamente repetidos como se fosse a primeira vez. Sinto uma vontade de mergulhar no mundo dele, como nunca fiz. Conhecê-lo como nunca parei para prestar atenção para conhecer. Sinto vontade de sugar um pouco daquela essência de retidão, justiça e honestidade, de me contaminar com aquela grandeza de espírito, de me assemelhar um pouco com aquela capacidade de melhorar, se engrandecer... mudar!! Nossa e como ele mudou.

Enfim... a minha vida urge. Na minha vida cada minuto é precioso, como ou sem ele. Mas sobretudo pelo ensinamento que estou tendo, com ele, sobre a importância de reconhecer essa preciosidade, que é a própria vida.

Não tenho tempo a perder!!

domingo, 16 de outubro de 2011

Com o sentido da Impermanência bem presente e vivo em minha vida
Eu aspiro cada centímetro de ar que me invade as narinas
E respiro cada centímetro de vida que se apodera de mim a cada minuto
Com toda gana que posso
Com toda paixão que concebe o meu ser
Pois a vida... essa é uma eterna impermanência!

sábado, 8 de outubro de 2011

Sim, Culpada!

Sim, Culpada!

Sou culpada e confesso meus desregros e desmesuras.

Sou culpada e assim me considero.

Sou culpada por acreditar na beleza da vida, mesmo quando ela me mostra sua face feia, perversa e agressiva.

Sou culpada por ser, antes de tudo, leal. Leal às pessoas, leal aos meus princípios, leal às minhas verdades mais íntimas.

Sou culpada pelo uso excessivo da sinceridade em meus atos, em meus gestos, em minhas falas, em minhas dúvidas, em meus tormentos, em minha loucuras, em minhas exposições enfim.

Sim, sou culpada por asseverar a primazia do amor em minha vida. Por entender que ele (o amor ) pode, deve e assume o controle direcional da minha mente, exercendo total influência em meus pensamentos e reflexões, sempre que eu, por fraqueza, desorientação ou incapacidade, titubear diante das agruras.

Sou culpada, sim, totalmente culpada, por não me acovardar jamais diante dos medos, receios e pavores que as decisões a serem tomadas possam me provocar. Jamais delegando a terceiros, ao destino, à vida, ao acaso, à Deus, ao universo ou às coincidências, que desempenhem as tarefas, decisões e/ou escolhas designadas a mim.

Sim, sou culpada por amar sempre da forma mais voraz, mais intensa, mais verdadeira, mais entregue e mais convicta que meus sentimentos assim se pronunciem.

Sou culpada e mereço o castigo, por me entregar às paixões de forma tão desmesuradamente livre da culpa, do pecado, dos medos do que por ventura tais entregas possam me acarretar em termos de dor, angústias ou frustrações.

Culpada sou, por acreditar cegamente na força abundante que existe dentro de mim, que me rege, sustenta e que me empurra com veemência para a interação com as infinitas possibilidades dos mundos das pessoas que me cercam.

Sim, mil vezes culpada pela coragem de viver de peito aberto para receber de bom grado o que a vida me trás.

Sim, invariavelmente culpada pela crença inabalável nas pessoas de bem, de bom coração e de caráter virtuoso. E por crer que estas, são sim, maioria no mundo.

Culpada confesso-me e considero-me, por acreditar que Deus está em tudo e acima de todos nós e a tudo ver. E por sua misericórdia, não cabe a mim, julgar, fazer justiça ou vingar-me (ou qualquer outra coisa que o valha ), para compensar quaisquer sensações de injustiças, ou desrespeitos, que por vezes me invadem corpo e mente.

Sou culpada pela alegria que me invade as narinas todas as manhãs, quando desperto para um novo dia cheio de graças.

Sim, sou culpada por sentir-me imensamente feliz, quando sorrio ou mesmo quando choro. Mas feliz pela oportunidade de experienciar a vida por excelência, sendo alheia ao que tal felicidade, possa por ventura causar às pessoas a minha volta.

Sendo culpada como sou, condeno-me nesse momento a prosseguir na trilha da vivência, da aprendizagem e da serenidade. E a continuar a deliciar-me nas gostosas subidas e descidas que as curvas dos acontecimentos me propiciam, seja agradecendo nas subidas, seja apertando o cinto das descidas. Mas com clareza de espírito para entender que é o amálgama das situações diversas ( e adversas ), o responsável pela riqueza infinita que buscamos na eterna construção do nosso ser.

Hévellyn Patrícia - 07/10/11

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Dispositivo do Foda-se

Descobri esse dias, algo mágico, de extrema importância para conseguirmos superar os momentos difíceis em que constantemente somos defrontados.

Chama-se Dispositivo do Foda-se

É mágico!

Veja alguns exemplos que podemos lançar mão dele

Naquele trânsito infernal, onde não adianta esmurrar o volante, nem esbravejar contra a própria sorte... Ligue o Foda-se e relaxe. Nada vai mudar com seu estresse.

Quando aquela ligação tão esperada não acontece, não adianta olhar para o telefone de 30 em 30 segundos... Acione o Foda-se e vá ler um livro ou a sua agenda telefônica em busca de novos nomes de pessoas que possam te ligar. Pelo menos o tempo entre uma olhada e outra para o telefone aumentará consideravelmente.

Quando as questões da prova não coincidem com o conteúdo estudado e tudo parece perdido... Disponha do Foda-se imediatamente e passe a pensar na prova final, assim certamente você terá mais tempo para estudar e não gastará tempo pensando no leite derramado, ou melhor na prova bem realizada

No momento em que as contas estão chegando, além do que anotado anotado no caderninho das contas a pagar e as cartinhas do Serasa começam a encher sua caixa dos correios, Lance mão do Foda-se com vontade e vá tomar uma cerveja. Afinal, arrancar os cabelos não pagarão as contas.

Se a pessoas que você sonha, deseja e alimenta a esperança de ter nos seus braços, optou por outra pessoa... Giro o botão do Foda-se no máximo volume e olhe para o lado e perceba quantas pessoas interessantes estão a sua volta.

Quando seu chefe cobrar aquela meta inalcançável mais uma vez... Ligue o Foda-se, sorria para ele e pense: sua comida de rabo certamente é maior que a minha, seu filho da puta, isso fará com que você se sinta muito mais feliz e quem sabe até alcance a tal meta.

Enfim, o Foda-se pode ser utilizado nas situações mais diversas, basta apenas que você faça bom uso dele e não necessita de moderação, ele está para facilitar a nossa vida, diminuindo os estresses e maximizando nossas possibilidades.

E se você acha que esse tal mecanismo é uma falta de escrúpulos de quem o escreveu, quem o considerou, e de quem o utiliza: Foda-se.

Nossa... que leveza!!

Sábios Ranzinzas

Nós costumamos achar as pessoas mais velhas, mais intolerantes. Geralmente elas são, ao ver das pessoas mais novas e certamente menos experientes, pessoas com um grau de intolerância elevado, em outras palavras, pavio curto, ranzinza, rabugentos mesmo...

Paradoxalmente, muitas pessoas mais velhas passam a ter um olhar menos crítico, no que diz respeito às incontáveis falhas e equívocos dos mais novos. Parece que a paciência torna-se mais presente e a temperança parece apenas se fazer presente nesse estágio da vida.

Se o que eu estou dizendo não parece ter lógica, certamente é porque você ( leitor ) é um jovem ou ao menos ainda não consegue enxergar que a vida pode ser menos tempestiva.

Tenho observado com meticulosa atenção o comportamento de pessoas mais velhas ultimamente e percebo facilmente esse comportamento, aparentemente dúbio, mas que na realidade é apenas a maturidade e a experiência, unindo-se à percepção de que os anos se passaram rapidamente e que apesar do muito vivenciado, muito tempo foi perdido, jogado fora com pequenas coisas, como preocupações, tensões, hábitos e preceitos, muitas vezes adquiridos, entre outras coisas. E nesse estágio da vida, onde a própria vida passa a ser mais valorizada, cada minuto passa a ser um instante precioso.

É com esse raciocínio em mente, que entendemos esse comportamento típico das pessoas mais experientes e que podemos chamar de sabedoria.

As pessoas mais sábias não perdem tempo com picuinhas que afetam o desenrolar das situações; com ironias que afetam o entendimento e a veracidade dos sentimentos; com preocupações que em nada podem alterar o destino do que há de vir; com medos que impedem que momentos felizes sejam vividos, com medo de que tais momentos acabem, e com tais coisas perdem a paciência, se apoquentam e rechaçam veementemente para longe de si e acabam por irritar-se com os que deles fazem uso freqüente.

Por outro lado, sãos as pessoas mais sábias que entendem os comportamentos mais passionais, extravagantes, gritantes, de cunho até agressivo, que denotam a personalidade a se formar, as lutas pelas liberdades utópicas, as paixões juvenis por assim dizer... por entenderem que são essas as atitudes que fazem a vida valer a pena. O que é feito com o coração para vivenciar o alívio da alma, libertando as paixões que apertam o peito.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Preciso

Beijo.
Preciso de um beijo.
Preciso do teu beijo.
Preciso dos teus lábios.
Preciso dos meus lábios nos teus.
Da tua respiração ofegante.
Da minha respiração na tua.
Das nossas peles juntas.
Das minhas unhas nas tuas costas.
Das tuas mãos nas minhas coxas.
Do teu suor em meu corpo.
Da tua língua em meu vício.
Do teu sussurrro em meu ouvido.
Das tuas palavras em cima das minhas.
Do teu movimento impulsivo.
Da tua vibração constante.
Da tua explosão selvagem.
Do teu descanso forçado.
Do teu corpo cansado sobre mim.

Preciso, compulsivamente, de um beijo teu.

Tonta

Tonta

Hévellyn Patrícia – 21/09/2011


Vontade de mergulhar

Penetrar a tua boca

Sorver tua língua

Senti-la toda

Encostá-la na minha

E sugar com força

Beber tua saliva

Até ficares tonta

Tonta

domingo, 2 de outubro de 2011

Em noite sem estrelas um rapaz, cansado do dia, chega em casa e encontra um bilhete em sua mochila.

"me desculpa.
não queria te dizer aquilo, foi uma atitude não pensada.
me desculpa pelas palavras escritas e faladas por impulso.
não te quero longe, nunca quis.
não quero mais silêncio, nem distância.
tenho tanta coisa pra te dizer. te quero tanto ao meu lado.
me desculpa.
ainda te quero como antes."

O rapaz foi para a janela e viu uma estrela brilhar.