segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Hoje eu sei

Ja tive medo do escuro
Não sabia o que estava lá
Hoje tenho medo
Quando começa a clarear
A luz do dia desnuda
Uma vida de arrepiar

Ainda era dia

Hoje eu morri
No meio da chuva
Do meio dia
No meio dia
Só chovia
E eu morria
No meio da chuva do dia
Depois estiou
E ainda era dia

Vida ao meio


Depois que se morre
A primeira vez
Nunca mais se vive
Por inteiro

domingo, 4 de novembro de 2018

Poesia

A poesia não diz o que você quer ler
A poesia não diz
Ela apenas faz repercutir
O que estava tão bem guardado no leitor
Que ele não sabia que estava lá
Mas se emocionou
Mas se incomodou
Lá estava
E a poesia é um convite ao fluir


Teu vício


Teu cigarro te ama
Muito mais que eu
Entre teus lábios
Ele te satisfaz
E te cala
Pra fora
E por dentro

Amor apenas


Tentei te falar de amor
Desse amor tresloucado 
Que me faz o que eu sou
Que me faz ser assim
Alguém por quem você se apaixonou
Quando a mesmice te entediou
Tentei falar desse amor
Apenas diferente
Apenas livre
Amor apenas
Mas as amarras que você queria
Calou a minha voz
E de amor não te falei mais.

O que te sobra


De morte em morte
Vive-se

Aos carentes de coragem
Resta-lhes a pobre vida



Chega de graça

Já não há graça
Viver já não satisfaz
É necessário morrer
Morrer um pouco mais
Na morte a vida sobressai
Na morte se perde o medo de viver
Na morte se vive
Na morte se vive
Pois viver já não denota graça
E de graça a vida já está farta





Medo do mergulho



Chega
Não suporto mais
É preciso fechar os olhos para enxergar
Eu não sou o que tu vês
Eu não Sou
Eu sou exatamente o que te recusas a sentir
Por medo de fechar os olhos e se abrir



Pueril

Quero que tu se vá
Se vá de mim e daqui
Não deixe nada para trás
Nem o olhar
Nem a lembrança desse tosco amar
Pueril como foi
Pueril olhar
Pueril como toda fraqueza
Quero que se vá
E não volte
Não se volte a amar até crescer