sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Desde a aurora da minha vida

Mesmo exasperada com o terror do mundo fora de mim

Fora do casulo seguro onde tento firmemente permanecer

Sinto uma pontada de dúvida sobre a realidade que entendo como terror

Não sei até que ponto o real foi construído de forma fantasmagórica

Delineada por uma imaginação doentia que me foi imposta na aurora da minha vida

No momento em que as dores se transformavam numa anestesia corpórea

Empurrando-me cada vez mais para dentro e para o isolamento

Sem que eu pudesse discernir ou me defender de tais influências involuntárias

As quais hoje tento deixar de ser refém

Deixei-me levar e anular-me diante das situações que se apresentavam na minha vida

Até que um dia qualquer

Sem maiores pretensões ou quaisquer indícios de algo diferente no ar

Eu te vi

E naquele exato momento em que meu olhar bateu em tua memorável figura

Tudo pareceu inexoravelmente clarear e fazer sentido

Um emaranhado de interconexões translúcidas materializou-se em minha frente

E de repente eu soube a razão da minha existência

E a significação de todo meu resguardo perante as pessoas que a mim se apresentavam

E eu percebi que era exatamente você, aquele alguém que eu ainda não conhecia

O ser que me faria inteirar-me em mim mesma

E assim o foi.

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