terça-feira, 1 de novembro de 2011

Antes do sonho

Hévellyn Patrícia – 01/11/2011

Sem minha permissão a vida acontece lá fora

Sem meu entendimento os fatos rompem os lacres da conformidade

E de cheio, atingem meus mais convictos pactos com a mediocridade

Obrigando-me a não mais permanecer no conforto da ignorância

Sou então lançada num mar revolto

Sim, a vida é bem assim, um mar revolto

Os pés, não mais encontrando a segurança de um terreno firme

Ensaia uma desbaratada fuga para onde quer haja o conhecido

Em vão

Nada permanece, por assim dizer, inalterado

Nem mesmo a capacidade de discernir o caminho a seguir

Nem mesmo a desenvoltura de seguir, mesmo sem saber para onde

Tudo está tão fora de lugar e violentamente remexido

Que o próprio entendimento do local exato, onde estou nesse momento

Parece ter-se perdido com vai e vem das ondas que me arrastam para lá e para cá

E um silêncio ensurdecedor me atinge os ouvidos

E pareço sucumbir num abismo sem fim de ausências e impermanências

Não tenho mais forças para continuar a ir e não chegar onde quero estar

Não sinto mais vontade de olhar e enxergar o que temo ver

Não tenho mais coragem de escutar e ouvir o que me recuso a saber

Desvaneço assoberbada, exasperada, exausta

Tombo em solo quente, macio e confortável

Entrego-me a um sono profundo

E chega o sonho enfim, e com ele o sossego da minha alma.

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