Viver significa, por assim dizer, vivenciar vários tipos de sensações. Mesmo quando fugimos e evitamos agir de forma a provocar certas situações, pensando assim em nos poupar de alguns transtornos, ainda assim, essa fuga gera situações outras, pois vivemos num sistema de causa e efeito, também chamado de ação e reação. E tudo, o que fazemos e o que deixamos de fazer, traz e/ou trará conseqüências inevitáveis.
Isso me veio a cabeça justo no momento em que eu estava pensando em outra coisa que também ando descobrindo ser imprescindível para “levar a vida” de forma plena: a urgência. Urgência em sugar a própria vida. Usufruí-la, degustá-la, saboreá-la.
Dizem que em tudo contém o seu oposto. E eu agora acredito, pois eu descobri justamente na ausência, a importância da presença. E não se trata de “ só se dá valor ao que se perde”. É dar valor ao que se tem, quando se tem. E isso foi descoberto, quando perdi o que eu ainda tenho.
Mas o que eu ainda tenho, às vezes se ausenta. Meu pai. As vezes ele não está dentro do corpo que está ali, na minha frente. E isso me causa várias sensações. Confesso que não são boas, mas fazem parte da vida. Fazem parte da minha vida agora. E eu quero e vou viver da melhor forma que eu conseguir.
Quando ele ( meu pai ) some, ou adormece, ou dá lugar a outra pessoa, ou até parece estar em outro tempo... a sensação que consigo definir de forma mais clara, em mim, é que eu pareço sumir também, como se meus pés não estivessem no chão. Ou como se eu tivesse perdido a referência de mim mesma. É como se colocar diante do espelho e não enxergar o próprio reflexo. É assustador. Como estar em queda livre num abismo sem fundo: o estômago embrulha, as mãos gelam e a face aquece.
Com isso surge o que escrevi no primeiro parágrafo, a necessidade de aprender a conviver com o que a vida nos apresenta de forma espontânea. Aprender a lidar com as situações da melhor forma. Sem desespero, sem revolta, sem loucura. Aprender a, quem sabe até, tirar lições dos acontecimentos. Extrair o positivo do que não é positivo, se é assim que certas coisas se apresentam.
Afinal, dois pontos devem ser considerados. O primeiro é que, se envolve outra pessoa, o bem estar da outra deve ser preservado. Principalmente no caso da outra pessoa ser alguém de alto relevo de importância, como um pai. E segundo é que vivemos sob uma lei régia em que a morte faz parte da vida.
Isso me leva ao segundo parágrafo. A noção de urgência. Essa noção está muito presente em mim, ultimamente. E sei que estará presente em mim no resto da minha vida, de agora em diante. Essa noção surge com muita força quando, após alguns momentos ausentes, meu pai retorna. Para o corpo, para o mundo, para mim.
Sinto uma vontade de escutar cada palavra, observar cada expressão, viajar em cada conto, mesmo os exaustivamente repetidos como se fosse a primeira vez. Sinto uma vontade de mergulhar no mundo dele, como nunca fiz. Conhecê-lo como nunca parei para prestar atenção para conhecer. Sinto vontade de sugar um pouco daquela essência de retidão, justiça e honestidade, de me contaminar com aquela grandeza de espírito, de me assemelhar um pouco com aquela capacidade de melhorar, se engrandecer... mudar!! Nossa e como ele mudou.
Enfim... a minha vida urge. Na minha vida cada minuto é precioso, como ou sem ele. Mas sobretudo pelo ensinamento que estou tendo, com ele, sobre a importância de reconhecer essa preciosidade, que é a própria vida.
Não tenho tempo a perder!!
Realmente... A presença é importante... Mas, tem presença que as vezes é melhor ficar ausente e com a ausência vem a saudade para quando acontecer a presença... Ela seja simplesmente inevitável ... sds...
ResponderExcluir