sábado, 8 de outubro de 2011

Sim, Culpada!

Sim, Culpada!

Sou culpada e confesso meus desregros e desmesuras.

Sou culpada e assim me considero.

Sou culpada por acreditar na beleza da vida, mesmo quando ela me mostra sua face feia, perversa e agressiva.

Sou culpada por ser, antes de tudo, leal. Leal às pessoas, leal aos meus princípios, leal às minhas verdades mais íntimas.

Sou culpada pelo uso excessivo da sinceridade em meus atos, em meus gestos, em minhas falas, em minhas dúvidas, em meus tormentos, em minha loucuras, em minhas exposições enfim.

Sim, sou culpada por asseverar a primazia do amor em minha vida. Por entender que ele (o amor ) pode, deve e assume o controle direcional da minha mente, exercendo total influência em meus pensamentos e reflexões, sempre que eu, por fraqueza, desorientação ou incapacidade, titubear diante das agruras.

Sou culpada, sim, totalmente culpada, por não me acovardar jamais diante dos medos, receios e pavores que as decisões a serem tomadas possam me provocar. Jamais delegando a terceiros, ao destino, à vida, ao acaso, à Deus, ao universo ou às coincidências, que desempenhem as tarefas, decisões e/ou escolhas designadas a mim.

Sim, sou culpada por amar sempre da forma mais voraz, mais intensa, mais verdadeira, mais entregue e mais convicta que meus sentimentos assim se pronunciem.

Sou culpada e mereço o castigo, por me entregar às paixões de forma tão desmesuradamente livre da culpa, do pecado, dos medos do que por ventura tais entregas possam me acarretar em termos de dor, angústias ou frustrações.

Culpada sou, por acreditar cegamente na força abundante que existe dentro de mim, que me rege, sustenta e que me empurra com veemência para a interação com as infinitas possibilidades dos mundos das pessoas que me cercam.

Sim, mil vezes culpada pela coragem de viver de peito aberto para receber de bom grado o que a vida me trás.

Sim, invariavelmente culpada pela crença inabalável nas pessoas de bem, de bom coração e de caráter virtuoso. E por crer que estas, são sim, maioria no mundo.

Culpada confesso-me e considero-me, por acreditar que Deus está em tudo e acima de todos nós e a tudo ver. E por sua misericórdia, não cabe a mim, julgar, fazer justiça ou vingar-me (ou qualquer outra coisa que o valha ), para compensar quaisquer sensações de injustiças, ou desrespeitos, que por vezes me invadem corpo e mente.

Sou culpada pela alegria que me invade as narinas todas as manhãs, quando desperto para um novo dia cheio de graças.

Sim, sou culpada por sentir-me imensamente feliz, quando sorrio ou mesmo quando choro. Mas feliz pela oportunidade de experienciar a vida por excelência, sendo alheia ao que tal felicidade, possa por ventura causar às pessoas a minha volta.

Sendo culpada como sou, condeno-me nesse momento a prosseguir na trilha da vivência, da aprendizagem e da serenidade. E a continuar a deliciar-me nas gostosas subidas e descidas que as curvas dos acontecimentos me propiciam, seja agradecendo nas subidas, seja apertando o cinto das descidas. Mas com clareza de espírito para entender que é o amálgama das situações diversas ( e adversas ), o responsável pela riqueza infinita que buscamos na eterna construção do nosso ser.

Hévellyn Patrícia - 07/10/11

3 comentários:

  1. eu tava conversando com um amigo sobre a minha culpa de não estudar e blablabla...
    então ele me disse um dos lemas da vida dele: "se a culpa é minha, eu coloco ela em quem eu quiser."
    acho que se aplica a outros casos também.

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  2. Não se culpa por ter princípios.. Não se culpa por amar essa é que não se culpa mesmo...

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perca-se no infinito...