Com algumas noites em claro nas costas,
aprendi que em sua maioria, elas são improdutivas, desgastantes, irritantes e
absolutamente maléficas para o corpo, mente, alma e coração.
A
única questão, é que quem sofre desse mal não tem muita escolha. E sabe que o
rolar interminavelmente na cama, inventar novas formas de se comprimir e se
esticar, até desforrá-la por completo, derrubar o travesseiro e ser obrigado a
levantar para arrumar tudo de novo, pode não ser o caminho escolhido, mas é o
único e sem direito à inércia.
Porém, essa noite foi um pouco diferente. Me obriguei a não rolar e a não
tentar ( sabendo que é em vão ) dormir. Essa noite noite me pus a pensar, a
lembrar de algumas aulas sobre a importância da respiração e me obriguei
a prestar atenção na minha.
Percebi que quase não estava respirando. Ela estava curtinha, rápida,
fraca. O peso absurdo de algo enorme bloqueava sua passagem bem no meu peito.
Era algo enorme, que me sufocava, como se um bicho-papão estivesse
sentado em cima de mim. Era angustiante. Minha face e a parte externa dos meus
braços pareciam queimar, como se exigissem oxigênio de mim, como se gritassem e
pedissem socorro.
Eu
nunca fui uma pessoa complacente, nunca soube lidar com a resignação, nunca fui
boa amiga da covardia e nunca deixei de oferecer resistência aos medos, embora
há alguns meses, tenha andado de nhênhênhê com tudo isso.
Resolvi então enfrentar o monstro. E para isso, me utilizei de conhecimentos
estratégicos aprendido com Sun Tzu: a melhor forma de enfrentar o inimigo, é
conhecê-lo.
Qual
era o inimigo então?
Pensar no inimigo, não foi algo que melhorou a minha respiração. Muito
pelo contrário. Ela começou a faltar ainda mais. Mas eu não sou de desistir
(quando me disponho a algo).
Quem
estava me apertando, comprimindo meu peito, me maltratando, me sufocando? Quem
era meu algoz das últimas noites intermináveis?
Passei a fazer muita força para respirar. Mas não de qualquer jeito. Nos
momentos de desespero é preciso utilizar técnicas e eu as conhecia. Puxava o ar
o mais forte que podia, até ele preencher meus pulmões e distender minha
barriga e depois prender todo esse ar pelo instante de contar até dez e soltá-lo.
Mais uma vez, não de qualquer forma. Tinha que ter técnica. Tive que soltá-lo
até a última miligrama, esvaziando por completo, barriga e pulmões.
Fiz isso várias vezes. Até doer na garganta. Também pudera, foi um
exercício e tanto.
Enquanto respirava, trabalhava a mente. Continuava a me perguntar quem
era o "algoz da vez"? E aos poucos, assim como a respiração que
começava a fluir mais normalmente, as situações foram se esclarecendo na minha
cabeça.
Percebi que não havia algoz nenhum. E se eu quisesse assim pensar, esse algoz
seria eu mesma e as minhas escolhas de vida. Mas prefiro não pensar assim, não
me parece coerente, visto que minhas escolhas têm bases amorosas, divinas e não
podem ser comparadas a algozes.
A respiração, assim como diz o budismo, ajuda a acalmar, clarear e
libertar a mente. E não é que eles estão certos, mesmo!!
Eu estava com o foco deslocado, excluindo a minha responsabilidade e esperando demais das pessoas. Esperando até
coisas que elas não podem me dar.
Eu
estava tratando de forma irresponsável e cruel o amor que mora em mim.
Culpabilizando-o por minhas frustrações e por minhas ansiedades, como se ele (o
amor), pelo simples fato de existir, já fosse suficiente para as grandes
transformações.
Quer dizer, ele o é. Só que não do jeito que minha ignorância, pequinês e materialidade deseja. O amor é divino. Sendo
ele divino, não cabe a mim conhecer seus desígnios. Mas cabe a mim, crer!
Bom, depois disso tudo, eu consegui adormecer. Acordei cedinho. Não de
bom humor (por sinal, mau humor me era tão raro), mas diferente e melhor. Não
posso ter a ilusão que outras noites insones não virão, seria utopia de minha
parte, mas agora sei que há como, ao menos, tirar bom proveito delas.
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