quinta-feira, 30 de agosto de 2012

O pacto

     Um dia, no meio de uma grande depressão, parecida com a 1929, só que dentro de mim, eu fiz um pacto comigo mesma. Não foi um pacto qualquer, foi uma decisão tomada depois de um susto ao me olhar no espelho.
     Eu olhava pra mim e não me reconhecia. A magreza havia me transfigurado a face; os olhos opacos indicavam que minha alma, já não morava em mim; o inchaço nas pálpebras imploravam por algumas noites de sono; os lábios seco, pálidos e rachados denunciavam o desprezo e o descuido, com que eu andava me tratando.
    Eu não acreditava no que via. E ao mesmo tempo, sentia pena de mim mesma. E como se outra pessoa estivesse no lado de cá do espelho, olhando para o meu reflexo, eu disse a mim mesma: o que você está fazendo com você mesma, menina?
    Um diálogo ai discorreu e eu vou pular essa parte, para ir direto ao pacto.

    Eu prometi a mim mesma  nunca mais me entregar a quem quer que fosse. Nunca mais me apaixonar. Nunca mais deixar de pensar primeiro em mim. Nunca mais acreditar em nenhum "eu te amo". Nunca mais tirar os pés do chão. Nunca mais fazer planos de casamento. Nunca mais fechar os olhos ao beijar longa e calorosamente. Nunca mais me derreter de amor; Nunca mais amar, enfim; Nunca mais, nunca mais, nunca mais...

    ... E nunca, isso aconteceu.

    Invariavelmente romântica, sou uma daquelas que nunca desistem. Daquelas que amam o amor incondicionalmente, apesar de tudo, apesar de toda dor que a ele atribuímos.
    E com minha tendencia natural à reflexão, depois de muito penar (claro, pois as soluções nunca vêm fácil), entendi que o meu pacto comigo mesma estava sob bases errôneas. Eu estava olhando pelo prisma errado. Estava enxergando o copo meio vazio, onde na verdade (o prisma correto para mim), ele estava meio cheio. Tudo depende do olhar.

    Sim, eu havia sofrido absurdamente (e ainda estava sob seus efeitos), mas não por causa do amor que eu sentia por aquela pessoa que agora não estava mais ao meu lado. Não porque "não deu certo". (E essa frase, tantas vezes repetidas e questionadas por mim, foi o ponto culminante da reviravolta em meu pensar). 
    Eu estava sofrendo por outras questões internas, psicológicas e conceituais. Eu estava sofrendo pelo meu entendimento equivocado sobre o amor e sobre a prisão que nós inadvertidamente lhe atribuímos a causa. Eu estava sofrendo pela dependência emocional, com qual eu castiguei o meu ser amado. Sofria pela minha falta de amor próprio. Pelo meu vazio existencial. Pelos ecos passados que ribombavam no meu peito. Nunca pelo amor.
   
    Quando eu consegui enxergar o copo meio cheio, eu pude então enxergar, o quão maravilhosa havia sido a relação que, naquele momento doentio, eu dizia não ter dado certo. Que mentira absurda! Que equívoco!! Pois, havia dado imensamente certo. E eu, nós, havíamos sido imensamente felizes!!

    O meu pacto comigo mesma, estava baseado nessas dores, nos rancores, nos olhares desfocados. Por isso, ele nunca poderia ter sido cumprido. E eu tenho muito orgulho de mim, por ter tido coragem e humildade de voltar atrás e  não levá-lo à cabo. Pois orgulho, também era algo que fazia parte dos meus olhares errôneos e equivocados para com a vida.

    Por isso, o meu pacto comigo mesma foi desfeito. E outro foi forjado para substituí-lo:
    Após alguns anos e após a busca incansável de novos aprendizados (que ainda continua), um outro pacto foi realizado. Dessa vez entre a Vida e Eu. Entre o Amor e Eu. Entre Deus e Eu. 
    E apesar de tantas dificuldades conceituais que observamos por aí para definir o amor, a vida ou Deus, o meu pacto foi muito simples. E ele tinha (tem) como base meu entendimento sobre o que é a vida, Deus, amor e eu. E também sobre o que Ele (Deus) quer de nós.
     Deus é amor e nós somos uma centelha do próprio Deus, somos uma centelha do próprio amor divino. E a vida  foi o presente com que Ele nos agraciou, em sua infinita bondade, para que nós conseguíssemos então, realizar Sua vontade: que fossemos felizes! 
    
    Claro, os complicadores existem! A sociedade criou ferramentas mil para dificultar essa tal felicidade. Incluindo os conceitos sobre a própria felicidade, sobre o amor. Criou uma imensidão de pecados, punições, restrições, os tais "valores", preconceitos. Coisas que estão muito mais para o capeta. Que por sinal, ao meu ver,  uma das mais engenhosas criações de todas. Ideal para gerar o medo. E o medo gera o controle, a dominação, as frustrações...
    
     O parágrafo acima já está por demais complicado. Não vou me estender nele, visto que o assunto era outro. Era o amor e o meu pacto com ele!

      Amar, acima de qualquer coisa. Cuidar da vida que me foi presenteada e assumir a minha responsabilidade de ser feliz!! 
             Eis o meu pacto!!

 
 


   

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