segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Confirmação de uma certeza


Hoje as palavras são só intrigas, estão de mal comigo. Estão secas, áridas, ásperas...
Tenho tanto líquido a jorrar, mas os olhos estão secos, secos como estão as minhas palavras
Apenas uma atonicidade paralisante controla meus ser, meu corpo
Me empurrando contra a cadeira
Silenciosa, mergulhada num mar sem fim de obscuridade
Nenhuma palavra audível pode ser pronunciada
Para que eu não corra o risco de, ao pronunciá-las, afogue-me em meu mar de águas salgadas
Salobras
Não... na verdade são águas claras, bem claras. Tão claras que posso ver o tamanho abissal do infinito de sentimentos que há em mim
E isso me amedronta e paralisa cada átomo do meu corpo prostrado na cadeira
Inerte, pasmo, sofrido
As confirmações de nossas certezas podem doer mais que as surpresas desconfortante do inesperado
Por isso as palavras não me ajudam a sair do mar
Apenas protelam a agonia me fazendo respirar por respirações boca a boca, feitas pelas palavras secas e vazias de sentimentos que me ajudam a não me afogar.

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